Equipa indígena estreia no futebol profissional para marcar golos e combater o preconceito

Equipa indígena estreia no futebol profissional para marcar golos e combater o preconceito

O objetivo da equipa Originários, a primeira formação totalmente indígena a participar num campeonato oficial de futebol no Rio, vai bem além de marcar golos.

"A intenção inicial passava por criar a equipa e competir no campeonato. Não com o fim de nos tornarmos campeões, mas para dar visibilidade a um povo que padece tanto, defendendo diretamente a sua terra", afirmou o presidente do clube, Tupã Nunes, líder da aldeia de Mata Verde Bonita, lar do povo indígena Guarani Mbya.

“Desde novo, sempre acreditei que, jogando um futebol de excelência, um futebol bonito, um futebol bem disputado, é possível comover os corações endurecidos daqueles que não entenderam o teu sonho, o teu projeto, o teu povo”, acrescentou.

Os indígenas, que representam 0,8% da população brasileira, são vítimas de violência de forma desproporcionada. Estudos indicam que centenas de indígenas são assassinados todos os anos em conflitos por terras no Brasil. O treinador Huberlan Silva referiu que a constituição do plantel envolveu uma procura ativa por talentos indígenas em todo o país.

“Sempre que sei da existência de uma comunidade indígena, contactei para identificar talentos ocultos, alguém que não teve oportunidade e que, ao vir para aqui, pode tornar-se num atleta profissional de alto nível”, explicou.

Muitos jogadores vieram de milhares de quilómetros de distância, das profundezas da Floresta Amazónica, para se juntarem à Originários. Os jogos constituem uma oportunidade para o avançado Edilson Karai Mirim, um artista gráfico da aldeia de Mata Verde Bonita, exibir a cultura do povo Guarani através da pintura corporal.

"Significa muito para mim porque representa o meu povo e a minha história", disse ele.

O sonho passa por levar a luta pela representatividade para além do campeonato do Rio. Nunes ambiciona ver as suas “águias guerreiras”, a ave que adorna a camisola do clube, voarem mais alto, chegando a grandes clubes no Brasil, na Europa e talvez até à Seleção Brasileira.

“Quero ver jogadores da Originários a abrir portas para jogar no Flamengo, no Botafogo, no Fluminense, em outras equipas brasileiras ou na Europa”, disse ele. “Mas também quero chegar à Seleção.”