Entrevista Exclusiva com Grafite: Desconfiança no Brasil tal como em 2002, o fenómeno Endrick e o elogio a Portugal

Entrevista Exclusiva com Grafite: Desconfiança no Brasil tal como em 2002, o fenómeno Endrick e o elogio a Portugal

Siga aqui os momentos mais importantes e o resumo do encontro entre Brasil e Marrocos

Para o antigo avançado Grafite, esta situação está longe de ser um problema: o momento atual remete diretamente para os anos em que o Brasil conquistou o tetra e o penta, quando a equipa também iniciou a caminhada com o olhar desconfiado de adeptos e imprensa.

Para analisar o momento do Brasil e as principais forças da competição que começa agora, o ex-jogador partilhou a sua opinião numa entrevista ao Flashscore.

Com a experiência de quem já representou a seleção brasileira no Mundial de 2010 e se destacou nos relvados europeus, o antigo ponta de lança campeão pelo Wolfsburgo avaliou as opções táticas para o ataque e analisou a transição de outras grandes potências.

Durante a conversa, mostrou muito otimismo em relação ao futuro do Brasil e apontou o jovem Endrick como o nome ideal para dinamizar o ataque. Além disso, Grafite trouxe um olhar atento e detalhado sobre o futebol europeu, posicionando a seleção da Alemanha como uma força perigosa que está a ser subestimada e que tem tudo para surpreender positivamente nesta edição.

- Qual é a sua expectativa para a seleção brasileira neste Mundial, tendo em conta os treinos em Nova Jérsia e a situação do Neymar, que ainda não está totalmente recuperado?

Estou muito confiante de que a seleção brasileira possa repetir o que aconteceu em 1994 e 2002, quando chegou ao Mundial rodeada por uma certa desconfiança dos adeptos e da imprensa devido ao ciclo que teve. Acho que essa desconfiança diminuiu um pouco após a chegada do Ancelotti, que é um treinador de muito peso e que transmite uma credibilidade enorme.

Conversando com jornalistas europeus, percebo que eles têm uma visão diferente e acreditam muito mais no Brasil do que nós próprios, pelo histórico de ser uma seleção pentacampeã. O plantel tem condições de crescer dentro da competição pela qualidade individual desta nova geração.

Quanto ao Neymar, torço para que recupere e tenha o mínimo de condição para atuar alguns minutos. Sabemos que ele não conseguirá jogar 90 minutos nas partidas decisivas, mas entrar por 15 ou 20 minutos pode fazer toda a diferença. Aliando a experiência dele com a energia destes jovens, o Brasil tem tudo para fazer um grande Mundial e chegar às finais.

- Pensando especificamente no ataque da seleção e na sua experiência, quem escolheria entre Igor Thiago, Endrick e Matheus Cunha?

Eu acredito muito no Endrick. É um jogador diferente. A característica, a vontade e a explosão dele estão acima da média. Ele é um avançado que rompe, que luta muito e entra forte nas disputas, algo que, com o tempo, vai aprender a dosear. O Igor Thiago também surgiu muito bem recentemente. É um camisola nove clássico, mas confesso que tenho um certo receio com essa função na seleção. Nos mundiais de 2014, 2018 e 2022, o sistema de jogo estava totalmente virado para o Neymar, o que acabou por não beneficiar os avançados, como Fred, Gabriel Jesus, Firmino e Richarlison, embora este tenha feito golos em 2022.

O camisola nove tradicional tem muita dificuldade em ser abastecido no modelo recente do Brasil. O Igor Thiago tem um estilo que até me lembra o meu quando surgi na seleção em 2010, mas vejo o Endrick com potencial para ser a grande surpresa e ganhar a titularidade durante o torneio. Isso vai depender do esquema: se jogarmos com um meio-campo mais robusto e defensivo, ou com quatro atacantes, cenário que exigirá um sacrifício tático do Matheus Cunha para dar equilíbrio à equipa.

- Fez história no futebol alemão, como avalia a seleção da Alemanha neste processo de renovação tática e geracional?

O grande objetivo da Alemanha é fazer um Mundial muito superior aos de 2018 e 2022. Para um país tetracampeão do mundo, que foi campeão em 2014, ter duas eliminações precoces seguidas é péssimo para a imagem do futebol local. Recentemente, comentei com alguns jornalistas brasileiros que estamos a falar muito pouco da Alemanha e de Portugal, duas seleções que contam com plantéis fortíssimos e podem surpreender.

É claro que não seriam surpresas no sentido de zebras, pois a Alemanha tem quatro títulos e Portugal tem um grupo espetacular. Acompanhei de perto a reta final deste ciclo alemão e foi uma pena a lesão sofrida pelo Lennart Karl, que era um jogador que ajudaria bastante. Mesmo assim, acredito que a Alemanha chega forte para fazer um bom Mundial, mostrando um desempenho bem diferente das últimas edições, até porque o encerramento de ciclo deles foi muito positivo.

- Para fechar, quais são as suas considerações táticas e as cinco seleções favoritas para conquistar o título mundial?

Hoje não dá para fugir de França e Espanha, que estão no primeiro patamar pelo futebol que vêm apresentando no cenário mundial. Logo a seguir, coloco a Argentina, por ser a atual campeã, o Brasil e a Alemanha, pela tradição e pelo peso das camisolas.

Correndo por fora, Portugal tem um plantel fortíssimo. Além disso, sempre temos alguma surpresa: seleções que chegam num ótimo momento, como a Noruega, ou Marrocos, que surpreendeu no último Mundial. Mas, se tiver de fechar o top 5 histórico e técnico, fico com França, Espanha, Argentina, Brasil e fecho com a Alemanha ou Portugal.