Mundial 2026: Sem adeptos por causa do Ébola, RD Congo confia na diáspora
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"Os fãs que costumam comparecer não estão presentes por causa das limitações impostas pelo Ébola. Têm que fazer quarentena de 21 dias noutro país e depois passar por aeroportos específicos onde podem ser submetidos a testes", disse à AFP Marcus Epwo, uma figura importante da comunidade congolesa em Houston, no sul dos Estados Unidos, onde os Léopards vão enfrentar Portugal na quarta-feira.
A própria seleção teve de passar por este processo rigoroso, cumprindo 21 dias de isolamento numa "bolha sanitária" na Bélgica antes de entrar nos Estados Unidos.
Face a estas limitações, que são complicadas de cumprir para os residentes do país, a diáspora quer assumir o papel de apoio. Em Houston, onde habitam cerca de 10.000 congoleses, e em Dallas, com mais de 16.000, as comunidades locais pretendem recriar a atmosfera de um grande evento mundial.
Na quinta-feira, com bandeiras, vuvuzelas e danças ao som do ndombolo, um género musical muito popular na RD Congo, os jogadores congoleses foram recebidos no hotel em Houston, onde vão permanecer durante o torneio.
"Pensamos naqueles que ficaram no país. Ficamos com o coração apertado por muitos não conseguirem viajar, mas isso aumenta a nossa responsabilidade de apoiar e aplaudir", explica Tshiunza Kalubi, um adepto de 41 anos. "Apoiamos também a equipa por todos os que estão em Kinshasa, por todos os do país que não puderam vir", afirma.
Alguns expatriados, que não estão sujeitos a estas restrições, também viajaram. É o caso de Antoinette Kayembe e das suas filhas: "Os nossos Léopards, os nossos heróis, estão cá. Vim de Paris para os ver. Cruzo os dedos e espero que tudo corra bem".
Em segundo plano, a epidemia de Ébola, que começou no leste da RD Congo, continua a propagar-se pelo país, alertou na sexta-feira a OMS, que reportou 676 casos confirmados, incluindo 136 mortes, associados à estirpe Bundibugyo, para a qual ainda não há vacina nem tratamento aprovado nesta fase.
"Embora muitos estejam de luto e rezem todos os dias, hoje podemos festejar o nosso regresso ao Mundial após 52 anos", sob o nome de Zaire, sublinha Furah Kashemwa, de 50 anos.
Para o selecionador, Sébastien Desabre, o desafio vai para além do aspeto desportivo: "Já há muito que o país não marcava presença num Mundial. Só estarmos aqui já é motivo de orgulho. Agora temos de dar uma boa imagem".