Entrevista exclusiva com Bailly: "Não apreciei o desfecho da passagem de Ronaldo pelo United"

Entrevista exclusiva com Bailly: "Não apreciei o desfecho da passagem de Ronaldo pelo United"

O Flashscore esteve à conversa com Eric Bailly, atualmente no Real Oviedo, para abordar as suas recordações em Old Trafford, as figuras lendárias do balneário e aquilo que o futuro lhe reserva.

- Foi descoberto num torneio de jovens aos 17 anos e fez a mudança da Costa do Marfim para Espanha. O que representa essa mudança para si em retrospetiva?

Tenho memórias muito boas dessa altura. Jogar futebol sempre foi o meu sonho e, quando se é novo e se cresce em África, sabe que é muito complicado chegar à Europa. Mas todas as recordações desse período são positivas.

- Venceu a Taça das Nações Africanas pela Costa do Marfim em 2015, bem no início da sua carreira internacional. Que memórias guarda desse feito?

Foi a minha primeira chamada à seleção e vencer a Taça das Nações Africanas é o sonho de qualquer criança que cresce em África. Nunca esquecerei esse instante. Até falar disto agora me deixa feliz.

- Até onde pensa que a Costa do Marfim pode ir no Mundial este ano?

Temos uma equipa muito forte. Jogadores novos com imenso talento. Amad Diallo, por exemplo, joguei com ele no Manchester United e é um talento excecional. Também contamos com jogadores experientes. No Mundial é necessária essa combinação de juventude e experiência, e nós temos essa mistura.

- Consegue fazer uma comparação entre esta equipa e a de 2015 que ganhou a Taça das Nações Africanas?

É bastante diferente. Quando fala de jogadores como Yaya Touré e Kolo Touré, era outra geração. Agora temos uma nova geração. Por isso, no Mundial é essencial ter jogadores experientes ao lado dos mais novos. Mas acredito que podemos conseguir algo bonito.

- Assinou pelo Manchester United em 2016. O que mais o impressionou ao chegar a um clube desta dimensão?

É tudo... A dimensão, a pressão, tudo. Quando se é novo e se acredita no sonho de jogar futebol profissional, nunca se pensa que algo assim pode acontecer. Assinar um contrato profissional quando comecei em Espanha já era um sonho. Depois, jogar no Manchester United foi incrível. A pressão que senti foi positiva. O treinador deu me a oportunidade de mostrar o meu melhor e tentei dar tudo. Foi uma experiência feliz.

- Não se pode abordar a sua passagem pelo United sem falar de José Mourinho. Como era trabalhar com ele no dia a dia?

Toda a gente conhece José Mourinho. Para mim, é um dos melhores treinadores do mundo. O que surpreendeu muitos foi ele ter dado uma oportunidade a um jogador novo como eu, apesar de ter tantos nomes importantes. Sabia que tinha de dar absolutamente tudo. Continuo em contacto com ele até hoje. Era como uma figura paternal para os jogadores. Dava confiança, transmitia coisas positivas. Nos treinos era intenso, queria sempre o melhor de ti, mas depois era diferente, podias aproximar te e falar com ele. Ficarei sempre grato por me ter dado a oportunidade de jogar no Manchester e ganhar títulos.

- As críticas de lendas como Roy Keane e Gary Neville afetaram o pessoalmente?

Cada jogador tem uma mentalidade diferente. Para mim, jogadores como Roy Keane e Paul Scholes são lendas, e acho que deveriam ajudar a equipa. Alguns desses comentários não fazem sentido para mim. Quando és jovem, afeta te mais, agora, com 32 anos, é diferente. Tornas te mais forte.

- Quando Ole Gunnar Solskjaer substituiu Mourinho, até que ponto as coisas mudaram?

Cada treinador traz algo diferente. Com o Ole também tive uma boa relação. Tivemos bons e maus momentos. Mas sempre senti que o Manchester United era como uma família.

- O que acha de Michael Carrick como treinador do Manchester United?

Na situação atual, acho que é a pessoa certa. Quando chegou, trouxe coisas boas e a equipa começou a ganhar jogos. Acho que o Manchester United devia dar lhe tempo. Confio que o Carrick pode mudar a situação.

- Como era o balneário quando Cristiano Ronaldo regressou ao United em 2021?

Para mim, Cristiano é o melhor jogador do mundo. Quando voltou, todos estavam felizes. Teve um impacto enorme. A sua dedicação era incrível. Era sempre o primeiro a chegar e o último a sair, todos os dias. Não gostei do modo como terminou a sua passagem pelo clube, mas Cristiano deu tudo. Basta ver o que continua a fazer na Arábia Saudita com a idade que tem. É impressionante.

- Que memórias tem de jogar ao lado de Paul Pogba?

É louco, mas no bom sentido. Paul Pogba é um grande jogador. Passou por momentos complicados e falo com ele como um irmão. Acredito nele. Espero que consiga voltar e mostrar do que é capaz.

- Já considera Bruno Fernandes uma lenda do Manchester United?

Pessoalmente, sim, acho que já é uma lenda. O que fez de forma consistente durante tanto tempo a esse nível não é fácil. É o líder, o capitão, o melhor jogador do clube neste momento. Espero que fique muito tempo no Manchester.

- O Bailly e Zlatan Ibrahimovic tinham uma relação especial. A maioria dos jogadores parecia intimidada por ele, como começou isso?

O balneário é como uma família. Eu era muito próximo dele. É um grande jogador e a nossa relação é especial. O que fez no Manchester foi extraordinário. Mas sim, alguns jogadores tinham lhe medo, é louco. Mas sempre no bom sentido, sempre de forma positiva.

- Foi emprestado ao Marselha. Como foi essa experiência?

Foi mais uma experiência importante. Fui para lá porque não tinha minutos suficientes no United, precisava de jogar para voltar mais forte. Quando regressei ao Manchester, tomei a decisão de sair do clube. Continuo em contacto com jogadores como Bruno e Amad. Agora continuo a minha carreira em Espanha e estou feliz.

- Tendo jogado nas duas, como compara a LaLiga e a Premier League?

São diferentes e ambas são competições muito fortes. A Premier League é uma das melhores ligas do mundo, mas quando se vê o que os clubes espanhóis fazem na Liga dos Campeões, também se percebe a qualidade. A LaLiga é muito técnica. A Premier League é mais física. Senti me bem em ambas, isso já diz muito.

- Já pensou na vida depois do futebol?

Sempre tens um plano na cabeça, mas nunca sabes exatamente como vai correr. Não me vejo fora do futebol. Gostava muito de voltar a África e ajudar jovens talentosos, trazê los para a Europa e ajudá los a perceber o jogo. Esse é o meu primeiro pensamento.