Diário do Mundial: Festa no Azteca silencia cânticos ofensivos que atormentavam a seleção mexicana

Diário do Mundial: Festa no Azteca silencia cânticos ofensivos que atormentavam a seleção mexicana

Reconhecida a nível internacional tanto pelo apoio incondicional como pelos polémicos gritos homofóbicos e preconceituosos a cada reposição de bola do guarda-redes adversário, a claque mexicana deu um exemplo. Não houve lugar para o preconceito. Houve apenas o som da festa. Finalmente!

Consulte a tabela do Mundial no Flashscore

O fim, ou pelo menos a trégua mundialista, deste comportamento coloca um travão num longo e doloroso ciclo. A Federação Mexicana de Futebol (FMF) acumulou milhões de dólares em multas impostas pela FIFA ao longo dos anos pelos incessantes gritos de "Ehhhh, puto", considerado um insulto homofóbico de forte teor pejorativo no país.

A FIFA, a entidade máxima do futebol, sempre procurou manter uma relação diplomática com o México, desenvolvendo campanhas educacionais em parceria com a federação local para evitar penalizações desportivas mais severas, como a perda de pontos nas eliminatórias.

O drama, contudo, persistia e atravessava fronteiras. No ano passado, durante o Mundial de Clubes, este comportamento fez soar o alerta máximo. Num jogo do Monterrey contra o Borussia Dortmund, disputado em Atlanta, nos oitavos de final do torneio, os cânticos ecoaram com uma força impressionante, mostrando que o "culto" ao grito de reposição de bola parecia incontrolável.

Veja como foi México 2 x 0 África do Sul

Das soluções artificiais ao sinal da população

A Federação e a Liga MX tentaram de tudo para mitigar o problema nos últimos anos. Na última edição da Copa das Ligas (Leagues Cup), os estádios precisaram adotar uma engenharia acústica artificial: sempre que o guarda-redes adversário corria para a bola, o sistema de som disparava uma música tradicional mexicana em volume máximo para tentar abafar as vozes das bancadas.

No Azteca, porém, não foi preciso nenhum artifício. O que se viu foi uma mudança de mentalidade. A população mexicana abraçou a causa não apenas pelo medo das punições, mas por um sentimento de carinho e orgulho nacional. O adepto entendeu que, para mostrar a beleza e a cultura do México para o mundo, era preciso também enterrar o preconceito. É o que pelo menos esperamos.

O comportamento exemplar do público trouxe grande alívio aos organizadores e aos próprios jogadores. Isto porque as regras atuais da FIFA não toleram mais qualquer margem de erro: o protocolo antirracismo e homofobia prevê uma escalada rígida de punições que começa com a paragem do jogo, passa pelo encaminhamento dos atletas para os balneários e, em última instância, pode decretar a suspensão definitiva da partida e a derrota por W.O.

Saber que o México correu o risco real de sofrer uma humilhação histórica de perder pontos na abertura do seu próprio Mundial eleva ainda mais o tamanho da vitória civilizacional vista no Azteca.

O futuro do Mundial no México

Porém, todo o cuidado é pouco. O Mundial está apenas a começar e a seleção mexicana passará ainda por outras cidades, como Guadalajara.

Resta saber se o "Milagre do Azteca" ditará o tom do restante do torneio. Pelo bem do futebol e pela dignidade do desporto, o primeiro passo foi dado com mestria.

-----------------------

Patrocinado

Não fique de fora!

Assista a todos os jogos do Mundial ao vivo pela CazéTV no plano Premium do Disney+ por R$ 19,90/mês.

Oferta por tempo limitado. Subscreva já!

------------------------