Capitão Stopira considera que a época do Torreense foi um sucesso
“É uma época muito positiva. Posso afirmar que é de sucesso, porque apesar de não termos alcançado a tão desejada subida que todos ambicionávamos, temos consciência de que fizemos tudo para subir”, explicou o líder do balneário.
Quatro dias após conquistar a Taça de Portugal pela primeira vez na história, tornando-se a primeira equipa do segundo escalão a conseguir tal feito, o Torreense falhou a promoção ao escalão principal, ao perder por 2-0 na visita à casa emprestada do Casa Pia, na segunda mão do play-off, que estava empatado depois do nulo em Torres Vedras, no dia 20.
No entanto, considerou o capitão da equipa de Luís Tralhão, a história poderia ter sido diferente caso a equipa tivesse tido mais dias de descanso para a segunda mão do play-off de acesso à Liga, para o qual se tinha apurado após terminar em terceiro lugar no campeonato.
“Com o grau de dificuldade que enfrentámos, com a carga física dos últimos jogos, acho que isso pesou no último jogo e acabou por não nos ajudar. Não é desculpa, mas é um facto”, reiterou.
Para Stopira, que vai estar no Mundial 2026 ao serviço de Cabo Verde, deveria ter havido um reajuste no calendário.
“Podíamos ter jogado no fim de semana. No sábado ou no domingo. Enquanto o Casa Pia estava a descansar, nós estávamos a jogar. Tivemos uma carga física, mas também mental, muito grande. Os jogos iam decidir muita coisa e acabámos por ser prejudicados por isso. E isso afetou a equipa no jogo com o Casa Pia”, lamentou.
Ainda assim, a tristeza por o clube não ter conseguido regressar ao escalão máximo, 34 anos após a última participação, não ensombra o que afirma ter sido uma temporada de sucesso.
“Mesmo assim, lutámos até ao fim contra o Casa Pia, tentando empatar e até virar o jogo. Não aconteceu, mas destaco o trabalho de toda a equipa. Saí muito orgulhoso do que fizemos”, assinalou o experiente defesa, de 38 anos, revelando que a chave para uma das épocas mais memoráveis da história do clube foi o “trabalho” e o “compromisso”.
“O segredo foi o trabalho que assumimos e o compromisso uns com os outros. O acreditar que temos potencial e qualidade. Temos grandes jogadores. A chave foi o grupo, que é muito forte, muito alegre e tem pessoas com muita fome de vencer”, celebrou.
O Torreense, terceiro classificado da Liga 2 na época que agora termina, vai continuar a disputar o segundo escalão, mas o sonho do regresso à elite permanece vivo.
“Infelizmente, não foi agora, mas tenho a certeza de que será no futuro. Não posso dizer que será na próxima época, ou na outra, mas tenho a certeza absoluta de que, no menor tempo possível, o clube vai estar na Liga”, afirmou, esperançoso de que seja a curto prazo.
O que é, para já, garantido é que o Torreense, por ter vencido de forma inédita a Taça de Portugal, assegurou a presença na Supertaça Nacional, onde vai defrontar o campeão português FC Porto, e também a inédita presença na fase de liga da Liga Europa, prova na qual se vai estrear e para a qual Stopira antecipa uma participação positiva.
“O clube vai fazer de tudo para que possamos competir, tanto a nível nacional como internacional. Espero, e tenho a certeza, que vão ser criadas todas as condições para que isso aconteça e se consiga honrar o nome do clube. Para que a próxima época seja mais uma vez de sucesso”, antecipou.
Já sobre a sua continuidade no clube, pelo qual alinha há duas épocas e no qual já gravou o seu nome a letras douradas, Stopira foi perentório.
“Tenho toda a confiança em dar continuidade ao trabalho que temos feito e se for essa a vontade do clube, irá acontecer com a maior naturalidade possível. Mais do que um clube, o Torreense é a minha casa, é a minha família também e gosto de estar na cidade”, confessou.
Até porque, já depois de destacar o apoio e confiança de adeptos e sócios ao longo do percurso no clube, o capitão manifestou o desejo de ajudar a “colocar o clube onde merece estar”.
“Se for para continuar, continuarei com o mesmo espírito”, enfatizou o líder do balneário da formação comandada por Luís Tralhão, que ficou à beira de regressar à Liga, mas que, de forma algo improvável, carimbou a inédita estreia numa competição europeia depois de vencer pela primeira vez a Taça de Portugal.