Belmiro pretende cortar até 40% nas despesas da estrutura de suporte ao futebol do Vitória SC
Figura principal da candidatura 'Unidos por uma paixão única' às eleições de sábado, o associado número 4.995 dos vimaranenses afirma que a SAD, responsável pela equipa da Liga Portugal, apresenta “um défice crónico anual de 20 milhões de euros (ME)”, resultante de uma receita média anual de 15 ME e gastos médios que ultrapassaram os 35 ME na temporada 2025/26, que está prestes a acabar.
Enquanto presidente da mesa da assembleia-geral no primeiro mandato do presidente cessante, António Miguel Cardoso, entre 2022 e 2025, Belmiro Pinto dos Santos sublinha que aproximadamente cinco milhões de euros vão para o pagamento de juros, e as restantes despesas distribuem-se pelo plantel e pela estrutura à sua volta.
“O Vitória SC tem atualmente uma despesa com a equipa técnica e com os jogadores que ronda os 15 ME. Depois, gasta 15 ME com a estrutura em torno do futebol. Refiro-me a departamentos ligados ao futebol e a custos com a administração e com pessoal, a custos com viagens, hotéis e toda a logística associada ao futebol”, declarou, em entrevista à Lusa.
Ainda que considere complicado reduzir significativamente os custos com essa “estrutura paralela” no primeiro dos três anos de mandato, o candidato salienta a intenção de os cortar em cerca de um terço “a médio prazo”.
“Existe a meta de reduzir os custos entre 30 a 40% a médio prazo. (…) Se alcançarmos esse objetivo, isso representa uma vantagem muito significativa do ponto de vista financeiro, permitindo investir mais no essencial, a equipa de futebol”, acrescentou.
Este défice anual, juntamente com o passivo total de 81 ME (75 na SAD e seis no clube) e com o capital próprio negativo da SAD, que, no final da temporada 2024/25, ascendia a 24 ME, leva o Vitória a precisar de “receitas extraordinárias através das transferências de jogadores”, algo que, na sua opinião, requer “boa performance desportiva” de modo contínuo.
Com a intenção de assegurar um lugar entre os cinco primeiros da Liga temporada após temporada e a qualificação para as provas da UEFA, o cabeça de lista da lista A planeia aumentar o investimento na equipa principal com o suporte de uma holding norte-americana, o SR Investments Group, que possui participações em setores como o imobiliário e a energia.
Abordado pela holding no outono de 2025, com o objetivo de desenvolver um projeto com horizonte em 2028, data inicialmente prevista para as próximas eleições dos vitorianos, Belmiro Pinto dos Santos salienta que esse grupo norte-americano pretende comprar 17% das ações da SAD com a maioria do Vitória, o qual detém 67,84% do capital.
O candidato também se mostra disposto a ceder dois dos cinco lugares do conselho de administração da SAD ao SR Investments Group, relativos à gestão desportiva e à gestão financeira, mas a empresa ainda conta com outro acionista, o V Sports, que possui 29% das ações.
Belmiro Pinto dos Santos afirma que aceita um maior envolvimento do fundo proprietário dos ingleses do Aston Villa, associado à SAD do Vitória desde 2023, desde que garanta um investimento superior ao da 'holding' que o apoia, mas também se mostra confortável com a 'saída de cena' do V Sports.
“Se houver algum direito de preferência, abdicamos de o exercer. Deixamos que eles negociem diretamente com o V Sports a compra desses 29%. Se assim o decidirem, não nos é indiferente, pois se as coisas estiverem a correr bem com o investidor, quanto maior for a percentagem que tiverem, melhor”, defende.
Com a intenção de ver erguidos até 2029 três relvados da academia planeada para o Vitória a oeste da cidade, para atender às equipas principal, B e sub-19, o candidato destacou que o SR Investments Group pode investir na infraestrutura, através da criação de um espaço comercial que lhe permita obter retorno financeiro.
Com vontade de dialogar com o atual treinador do Vitória, Gil Lameiras, depois das eleições, para saber se deseja “continuar na equipa A, voltar à equipa B ou rescindir o contrato”, o cabeça da lista A também distingue Ricardo Pimenta Machado, candidato a vice-presidente para o futebol, do antigo treinador Manuel Machado, nome escolhido para diretor técnico.
“O Ricardo Pimenta será o vice-presidente para a área do futebol e terá funções semelhantes às de um chefe do departamento de futebol. Quanto ao Manuel Machado, é diferente. Um diretor técnico terá um trabalho muito específico na ponte entre as estruturas do futebol: a equipa A, a equipa B, a formação. Ficará encarregue da supervisão dos departamentos”, explica.