André Villas-Boas sublinha que o legado dos falecidos Pinto da Costa e Jorge Costa foi honrado
“Este título lembrou duas dores que nunca se curam. Duas perdas irreparáveis no seio do nosso clube. Este campeonato não é só um feito desportivo. É uma homenagem ao Porto. É um tributo à memória. Com esta vitória, prestamos homenagem ao que eles representaram e ao que nos legaram. O legado, a exigência, a coragem, a frontalidade, a postura. A convicção de que no FC Porto não existe destino, existe trabalho. Não há fatalismo, há resposta. Não há resignação, há combate”, declarou o dirigente no editorial da revista Dragões.
O FC Porto conquistou o título nacional pela 31.ª vez na segunda temporada da presidência de André Villas-Boas. O antigo treinador do clube afirmou que a equipa regressou ao lugar que sempre almejou, com “trabalho, método e ambição”, apoiado pela proximidade dos sócios, adeptos e da cidade do Porto.
“Este título não caiu do céu nem foi fruto do acaso. Foi uma construção. Foi uma temporada inteira a exigir união, concentração e coragem. Foi um balneário a cerrar fileiras em torno de um objetivo comum. Foi um grupo focado, disciplinado, solidário, capaz de sofrer, reagir e responder quando muitos esperavam que vacilássemos”, afirmou, recordando que o clube “mudou muito de uma época para a outra” devido às entradas e saídas de jogadores.
Depois de felicitar o guarda-redes e capitão Diogo Costa por “liderar a equipa de forma exemplar” e o médio dinamarquês Victor Froholdt pelos prémios de melhor jogador e melhor jovem da Liga, André Villas-Boas elogiou a “marca coletiva” do plantel na conquista do título e a forma como o treinador italiano Francesco Farioli “chegou, viu e venceu”.
“Ele compreendeu depressa o que é o FC Porto e o que significa ostentar este emblema num país que tantas vezes procura relegar o Norte para a periferia e a nossa ambição para a exceção. Não veio para se adaptar ao barulho. Veio para respeitar a nossa identidade. E adaptou-se. Com altruísmo, exigência, coragem, detalhe e uma capacidade invulgar de orientar e motivar todo um grupo para o sucesso”, reconheceu.
O presidente do FC Porto agradeceu a todos os departamentos do clube e da SAD azul e branca e recordou as “duas festas à Porto” na celebração do título: uma no Estádio do Dragão, após a vitória sobre o Alverca (1-0) em 2 de maio, referente à 32.ª e antepenúltima jornada, e outra da Ribeira à Avenida dos Aliados, duas semanas depois, após a entrega do troféu.
“O FC Porto é cada vez mais um símbolo de toda uma região, mas é, acima de tudo, um clube do todo: da união, força, resistência e conquista. E digo-o hoje com orgulho absoluto, sem filtros e sem receio de parecer exagerado: ser portista é o que mais sinto na pele e dentro de mim”, afirmou.
André Villas-Boas referiu ainda as saídas de Thiago Silva, que regressou em janeiro ao clube para “fechar uma ferida que estava aberta desde 2004”, e de Seko Fofana, Luuk de Jong e Terem Moffi, numa temporada também assinalada pelos títulos nacionais nos escalões de sub-19 e sub-17.
A inédita subida à Liga feminina com o título da segunda divisão e a estreia na final da Taça de Portugal, perdida frente ao hexacampeão Benfica (2-0) no Estádio Nacional, em Oeiras, foram outros marcos realçados pelo líder azul e branco, assim como a dobradinha no voleibol feminino e a conquista da Liga dos Campeões de hóquei em patins pela quarta vez.
“Enquanto celebramos, continuamos a construir. Vencer é um momento, mas sustentar a vitória é um projeto. A cerimónia da primeira pedra do Centro de Alto Rendimento (no Olival) foi mais do que simbólica. Foi uma declaração de futuro. Nos próximos meses, estaremos a materializar um projeto fundamental para o FC Porto, que reforça a nossa capacidade de formar, desenvolver, recuperar e potenciar talento”, concluiu, visando mais sucessos “com a mesma convicção e fome e um compromisso inegociável com a vitória”.