Ancelotti afasta substituição de Neymar e reconhece escassez de craques: "Não temos Pelé nem Ronaldo"

Ancelotti afasta substituição de Neymar e reconhece escassez de craques: "Não temos Pelé nem Ronaldo"

"Se o meu avô tivesse rodas, era um carro"

Neymar foi diagnosticado com uma lesão de grau 2 no gémeo da perna direita, uma situação pior do que o edema inicialmente previsto, com um tempo estimado de paragem entre duas a três semanas. Fazendo contas, o camisola 10 poderá, no melhor dos cenários, recuperar a tempo da estreia frente a Marrocos, a 13 de junho. Mesmo sabendo que o atleta poderá apenas estar apto para a segunda jornada, a 19 de junho, diante do Haiti, o técnico italiano foi categórico.

"Ele foi chamado porque, para a equipa técnica, tinha de ser chamado. Vai recuperar, está a treinar bem e está motivado. Se não estiver apto para o primeiro jogo, estará para o segundo. Não ponderamos substituições, não temos dúvidas quanto a isso. Não haverá alterações, os futebolistas que vão disputar o Mundial são os 26 que foram convocados", assegurou o timoneiro transalpino.

Questionado se manteria a convocatória caso soubesse antecipadamente da gravidade da lesão, Ancelotti usou o humor: "Se o meu avô tivesse rodas, era um carro. O Neymar teve este pequeno contratempo que não lhe permite treinar com o grupo, mas está muito bem a nível individual".

Foco na equipa e na solidez defensiva

A presença de Neymar tem sido alvo de intenso debate devido à sua condição física e rendimento recente, deixando de ser um titular indiscutível, embora continue a ser uma das grandes referências do balneário. Esta aparente falta de figuras consensuais na comitiva mereceu uma reflexão aprofundada por parte do ex-treinador do Real Madrid, encarregue de guiar o Brasil rumo ao sexto título mundial em solo norte-americano.

"Por vezes fala-se muito que o Brasil não tem uma estrela. Pode ser verdade, não temos um Pelé, um Romário ou um Ronaldo, mas podemos repartir a responsabilidade. O jogador mais experiente precisa de assumir mais compromisso e o mais jovem tem de ter menos pressão. Se partilharmos a pressão, ela diminui", explicou Ancelotti aos jornalistas, desvalorizando a ausência de um "brilho" individual do passado.

Antes da estreia oficial, o Brasil vai realizar dois jogos de preparação: o primeiro já este domingo, contra o Panamá, no Maracanã, e o segundo no dia 6 de junho, frente ao Egito, em Cleveland (EUA). Até lá, o foco do técnico italiano está bem definido.

"Trabalhamos bastante a organização defensiva e vamos continuar a fazê-lo diariamente até ao último jogo do Mundial. Não quero retirar a criatividade aos atacantes, eles têm muita qualidade, mas defensivamente os defesas, os laterais e os médios têm todos um papel muito importante", rematou.