No limiar da eternidade: o Arsenal de Arteta procura um lugar único na história

No limiar da eternidade: o Arsenal de Arteta procura um lugar único na história

Embora tenha celebrado muitos triunfos nos seus 139 anos de história, com 14 títulos de campeão, um recorde de 14 Taças de Inglaterra e duas Taças da Liga, o Arsenal nunca chegou a afirmar-se verdadeiramente no futebol europeu. O seu troféu continental mais importante data de 1994, quando venceram a Taça das Taças da UEFA.

Contudo, nunca lograram erguer o troféu mais importante de todos. Até este ano, a sua única participação numa final da Liga dos Campeões foi em 2006, quando sofreram uma dolorosa derrota por 2-1 frente ao Barcelona.

Agora, porém, têm a oportunidade de remediar essa situação e, finalmente, alcançar o último grande objetivo.

Isto suscita a questão: em que posição se situaria esta equipa do Arsenal na história do clube, se conseguir superar o último obstáculo?

Primeiramente, é indiscutível que já houve versões superiores do Arsenal no passado. É provável que esta nem seja a melhor equipa de Arteta.

Na época 2023/24, o Arsenal acabou com 89 pontos, dois pontos atrás do Manchester City, classificando-se em segundo. Existem fortes argumentos para dizer que essa equipa era melhor, mas não logrou conquistar nenhum troféu.

Seguidamente, podemos recordar algumas das formações clássicas de Arsène Wenger.

A célebre equipa que venceu a dobradinha em 1997/98, com jogadores como Tony Adams, Patrick Vieira, Ray Parlour, Marc Overmars, Dennis Bergkamp e Nicolas Anelka, era excecional.

E, obviamente, aquela que é considerada a melhor equipa de sempre do Arsenal na época 2003/04: Os Invencíveis.

A única equipa da Premier League a terminar uma temporada completa sem qualquer derrota, era um conjunto com estilo, confiança e classe ímpares.

Thierry Henry e Bergkamp produziram verdadeiras obras de arte na área adversária, enquanto Robert Pirès e Freddie Ljungberg luziam nas alas.

Vieira e Gilberto Silva controlavam o centro do terreno, com uma mistura ideal de força e qualidade técnica.

Por seu turno, Lauren, Kolo Touré, Sol Campbell e Ashley Cole constituíam uma defesa robusta e atlética, e Jens Lehmann era uma figura subestimada entre os postes.

Contudo, nenhuma destas formações logrou trazer a Taça dos Campeões Europeus para casa.

Deste modo, se o Arsenal vencer a dobradinha este ano, tornar-se-á de imediato na melhor equipa da história do clube.

Embora terminar uma temporada invicto seja um feito notável, erguer a primeira Liga dos Campeões e, simultaneamente, conquistar o primeiro título de campeão em 22 anos, tornaria esta equipa na maior de sempre do clube.

Naturalmente, os jogadores também não ficam aquém. David Raya está a consolidar-se como o melhor guarda-redes de sempre do Arsenal, enquanto Gabriel Magalhães e William Saliba constituíram uma das melhores duplas de defesas centrais da história da Premier League.

Declan Rice é um dos melhores médios a nível mundial, e Bukayo Saka tem sido um dos extremos em maior destaque nos últimos anos, embora não tenha realizado uma temporada ao nível a que já nos habituou.

Porém, enfrentam uma tarefa difícil na final.

O PSG chega ao jogo como grande favorito e está no limiar de conquistar títulos consecutivos da Liga dos Campeões. Apenas o Real Madrid havia conseguido esse feito anteriormente (2016-2018).

É uma equipa empolgante, com o melhor treinador do mundo, Luis Enrique. Khvicha Kvaratskhelia joga a um nível impressionante, enquanto Ousmane Dembélé e Desire Doué compõem um trio ofensivo quase imparável. O PSG ambiciona construir a sua própria dinastia.

Mas nunca seria fácil ganhar a primeira Liga dos Campeões, tal como não foi fácil para o Arsenal vencer a Premier League esta época. Complicaram tudo mais do que o necessário, o que é natural para um clube que suporta uma pressão incomparável.

Os gunners vão procurar tornar o jogo o mais físico e agressivo possível, confiando naquela que é a melhor defesa da Europa para travar os franceses.

Para ser o melhor, é necessário derrotar os melhores, e os homens de Mikel Arteta têm a oportunidade de se converterem nos maiores de sempre.