A análise de Hoarau: "Mbappé está numa dimensão histórica incrível"

A análise de Hoarau: "Mbappé está numa dimensão histórica incrível"

Recorde as incidências da partida

- Mais uma exibição sólida por parte da seleção francesa, que nunca esteve verdadeiramente em apuros perante o Marrocos. Este era visto como o primeiro grande teste para os Bleus… No fim de contas, foi gerido de forma perfeita. Qual é a sua opinião sobre o jogo e o que mais o impressionou?

A França geriu de forma exemplar o seu primeiro grande teste. Viu-se Adrien Rabiot a brincar um pouco, a dizer que, sinceramente, esperava-se mais dos marroquinos, mas eu vi uma demonstração de controlo por parte da seleção francesa. Marrocos arriscou tudo, mas quase nunca conseguiu colocar os Bleus em perigo. Tentaram ter algum controlo no meio-campo — houve momentos interessantes — mas impor o seu jogo foi complicado.

A maior força dos Bleus neste momento é conseguirem sufocar o adversário antes mesmo de lhe dar espaço para tentar algo. O adversário nem tem tempo de acreditar que é possível, porque os Bleus já estão a sufocá-lo.

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É isso que me impressiona nesta seleção francesa: a maturidade. Aceleram quando é preciso e, acima de tudo, sabem sofrer. Houve o penálti falhado por Kylian Mbappé, mas tirando isso, conseguem sempre controlar as emoções.

E esta é mesmo a mensagem: a seleção francesa joga para vencer o Mundial, não apenas para ganhar um jogo. Nota-se nas análises do Mbappé após os jogos — o mais importante é recuperar para o próximo encontro. Estes jogadores querem mesmo conquistar o Mundial.

- Uma opinião sobre Mbappé (8 golos, 3 assistências): o capitão dos Bleus está a protagonizar uma competição histórica. O que lhe falta para ser o maior da história do Mundial?

Kylian Mbappé, neste Mundial, está em modo Guinness Book, numa dimensão histórica incrível. Mas o que lhe falta neste momento é tempo, porque os grandes jogadores não são apenas os que brilham hoje, mas sim aqueles que marcam várias gerações.

Se levantar um segundo Mundial como capitão, como líder desta equipa, penso que o seu nome começará a pesar entre os maiores de sempre. Veremos em 2030, em 2040, como se falará dele: será que será visto como a referência absoluta, tal como aconteceu nestas duas décadas com Messi e Ronaldo? Mas, neste momento, o que lhe falta é tempo — tempo para que se possa afirmar, em determinada altura, que é realmente o maior jogador do mundo.

- A dois jogos do título, como sente este grupo? São os grandes favoritos? Será a França a seleção mais bem preparada entre as que restam para conquistar este Mundial?

A dois jogos do título, para mim a França é claramente favorita. Basta ver o que diz a imprensa de vários países: todos estão impressionados com esta equipa. E nós também, diga-se, para mim a França é a seleção mais completa. Tem profundidade, tem individualidades. Na verdade, qualquer um pode decidir um jogo, e isso é extraordinário.

O que continua a marcar as pessoas é o enorme trabalho coletivo. Sente-se mesmo que é um grupo que trabalha em conjunto: a vencer por 2-0, vê-se Dembélé a recuar para defender, todos se colocam atrás da bola, e isso são sinais claros. Clean sheets atrás de clean sheets, e sinceramente, é esta mistura que faz os campeões.

Agora, ainda falta uma meia-final e uma final, e penso que a competição também mexeu muito com o lado mental. Quanto mais se avança, maior será o desgaste, por isso tudo se vai decidir ao nível psicológico. Vai vencer quem melhor suportar a pressão desta meia-final e, sobretudo, da final.

Por isso, para mim, os Bleus têm talento, transmitem realmente algo muito especial: a serenidade dos grandes campeões. É isso que vejo neles, esta certeza de chegar ao fim, esta confiança, e acima de tudo são resistentes à adversidade. Portanto, para mim, estão prontos para levantar este Mundial.