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Entrevista exclusiva a Jakirovic, técnico do Hull: "Não é por acaso que ligam o Championship à NBA"

Entrevista exclusiva a Jakirovic, técnico do Hull: "Não é por acaso que ligam o Championship à NBA"

O técnico bósnio assumiu o comando do Hull City após o emblema escapar por pouco à descida para a League One, com as finanças limitadas por uma proibição de contratações imposta pela EFL.

Mesmo perante estes obstáculos, Jakirovic mudou o seu conjunto numa das equipas mais atrativas do Championship e levou-o aos lugares de acesso aos play-offs, com uma margem de quatro pontos e quatro partidas ainda em agenda.

Ao longo deste percurso, o treinador de 49 anos integrou a lista de nomeados para o galardão de Melhor Técnico da Temporada, ao lado de Frank Lampard, cujo Coventry batalha pelo ceptro.

Em conversa exclusiva com o Flashscore, Jakirovic aborda as exigências do futebol no Championship e o seu contentamento por posicionar o Hull City na corrida a um improvável retorno à Premier League.

Na sua estreia no futebol inglês, qual a sua visão sobre o ritmo incessante do Championship?

- Antes do arranque da época, ou logo após rubricar pelo Hull, falei com vários jogadores e treinadores que já tinham vivido o Championship, o que me deu uma ideia do que viria. Contudo, tal como em qualquer área da vida, nada substitui a observação directa e a acumulação de vivências para aplicar no terreno. Note-se que, ao lado da minha equipa técnica, atuei em três clubes habituados a competições europeias e a um calendário de dois jogos semanais, pelo que a adaptação e a gestão dos treinos correram sem grandes sobressaltos. Ainda assim, não é sem razão que associam o Championship à NBA. Basta ver a semana da Páscoa: na Sexta-feira Santa deslocámo-nos a Oxford e na segunda-feira recebemos o Coventry. Assim, não há espaço para celebrações ou lamentações prolongadas, nem para preparações elaboradas. Em resumo, adaptámo-nos com sucesso, como os resultados confirmam.

- De que forma evoluiu a sua ligação ao clube ao longo da temporada?

- Desenrolámo-nos bem desde o princípio, sem dúvida. Para um treinador, o essencial é detetar a confiança da direção. Esse suporte manifestou-se desde o primeiro dia. O dono do clube, o Sr. Acun, defendeu a minha contratação desde cedo, e, como na existência quotidiana, preferimos os locais onde nos querem e nos integram. A interação inicial fluiu com naturalidade e preserva-se esse padrão até agora. Contamos com todos os recursos indispensáveis, os fãs valorizaram o nosso empenho, com uma assistência média de perto de 20.000 por partida, o que constitui um estímulo valioso. O clima em Hull e em Yorkshire revela-se dinâmico; quantos nos visitaram saíram impressionados de forma positiva. Por isso, contentamo-nos também nesse aspeto. A formação atravessou um ano complicado na época transacta, salvando-se na derradeira jornada. Nesta, alcançamos feitos notáveis, o que acentua o entusiasmo geral em torno do emblema.

- O que representaria para o Hull voltar à Premier League, sobretudo após o 21.º posto na última passagem?

- Sim, ocupamos os lugares de play-off a quatro rondas do fim, mas urge validar isso no relvado. Cada encontro vindouro é uma batalha decisiva, e encaremos o jogo caseiro frente ao Birmingham este fim de semana com essa determinação. Falar de subida à Premier League neste momento revela-se prematuro, especialmente sem a qualificação matemática para os play-offs assegurada, e cientes do tormento que nos aguarda nessa fase. De resto, tanto o acesso aos play-offs como uma eventual promoção seriam o pináculo da trajectória de todos. No entanto, evitemos projectar tanto. Precisamos urgentemente de vitórias este fim de semana, e só depois analisaremos o que os números e a classificação indicam nas três jornadas finais.

- O que justificou esta evolução?

- Afirmaria que o esforço constante e a fé no método colheram recompensas. Desde o primeiro jogo em Coventry, onde conquistámos um empate renhido ante o líder actual, surgiu um sinal claro de potencial. Importa realçar que, por causa da proibição de transferências, formámos o grupo de forma improvisada. Seguiram-se lesões em catadupa, de modo que, ao planear certos jogos, limitávamo-nos a verificar quem estaria apto no meio do caos. E quando se preserva a coesão do grupo perante tantos percalços, quando se forja uma atitude de persistência inabalável, os êxitos surgem inevitavelmente. Mais uma vez, contam os adeptos e o ambiente favorável no clube que nos tem acompanhado, e creio que tudo isto tecera uma narrativa inspiradora que vivenciamos presentemente.

- Mencionou o orgulho pela nomeação como melhor treinador do ano no Championship.

- Já o enfatizei e repito sem reservas: o mérito pertence a todos no clube. Dos jogadores e da equipa técnica aos colaboradores que se dedicam incansavelmente no emblema e na região... No fundo, trata-se de um orgulho imenso. Figurar nesta lista, junto a uma figura como Frank Lampard numa liga tão feroz, representa um triunfo acentuado. Ignoro como decorrerá a gala de entrega, mas ser um dos quatro seleccionados entre tantos técnicos constitui uma distinção, um motivo de satisfação e um compromisso para o porvir.

- Como geriu a tensão dos play-offs? A bagagem em outras ligas de topo ajudou?

- Antes de mais, recordo que nos previam numa pelea pela manutenção. Comprometemo-nos a enfrentar cada partida isoladamente e a aceitar o que o destino reservasse. Agora, eis-nos aqui. Quanto a mim, acumulei uma experiência vasta ao longo dos anos como treinador. Como referi, evito euforias excessivas após triunfos ou abatimentos após reveses, optando por um equilíbrio construtivo e lições tiradas. Não alterei a minha abordagem de treino desde o início, mas refinei-a em cada clube. Toda a vivência ensina, inclusive as adversas. Sabemos manejar cenários inéditos e o que, por fim, gera frutos. Essa sabedoria revela-se inestimável.