Todos os arguidos absolvidos no caso do Saco Azul
Apenas através de uma análise técnica forense seria viável determinar quem realizou cada acção, quem acedeu ao sistema e quais os problemas informáticos gerados. Agora, nesta etapa do julgamento, transcorridos dez anos, tal seria impossível, afirmou o juiz encarregue do processo ao proferir o acórdão no tribunal de Lisboa.
O tribunal mantém reservas quanto às actividades do empresário José Bernardes na Questãoflexível, empresa da sua propriedade, pois o Ministério Público acusou a existência de contratos supostamente fictícios firmados entre a Questãoflexível e o Benfica Estádio, remunerados por este e pela Benfica SAD.
O ponto central reside unicamente no disfarce adoptado pelo arguido José Bernardes para executar esses serviços ao Benfica. Essa constitui a principal incerteza, esclareceu o juiz, prosseguindo que existem razões para defender que José Bernardes poderia ter laborado na Questãoflexível com vista a prestar serviços ao Benfica, embora haja igualmente argumentos em contrário.
Para além de Luís Filipe Vieira, que presidiu ao Benfica de 31 de outubro de 2003 a 15 de julho de 2021, foram igualmente ilibados os demais arguidos: o antigo director executivo do Benfica Domingos Soares de Oliveira, o ex-diretor financeiro Miguel Moreira, o dono da Questãoflexível José Bernardes, mais dois indivíduos acusados de auxiliar este no esquema José Raposo e Paulo Silva, bem como a Benfica SAD e a Benfica Estádio.
Os delitos imputados relacionam-se com um suposto plano, entre 2015 e 2018, urdido pelos arguidos para, valendo-se de contratos falsos de consultoria informática, extraírem do Benfica mais de 1,8 milhões de euros, grande parte dos quais supostamente reentraria no clube em espécie.
Face à denúncia do Ministério Público e após exame de todas as provas no decurso do julgamento, o tribunal concluiu que nestas circunstâncias temporais, confrontando as versões dos documentos com a sua ambiguidade não se afigura factível alcançar uma certeza absoluta.