Villas-Boas volta a criticar: "Na Taça Sporting saímos derrotados"

Villas-Boas volta a criticar: "Na Taça Sporting saímos derrotados"

"Abril representou um período de provas. Um tempo de escolhas, tensão e demandas elevadas. Trouxe-nos também ao lugar que agora detemos. Para o derradeiro avanço, urge a união de todos. Na arquibancada, no vestiário e ao redor do nosso emblema. Nesta etapa, o campeonato não se disputa: obtém-se. E obtém-se apenas com dedicação total. Na Liga Europa, saímos eliminados, é facto. Mas quem assistiu ao jogo percebeu o que significa ser do Porto. Competir com dez elementos por perto de oitenta minutos, vendo atletas a empenharem-se por completo, a esforçarem-se ao máximo, a suportarem e a crerem na possibilidade de reverter o resultado é a demonstração mais clara do desempenho desta formação até ao momento. Uma formação ao estilo Porto, que encara o risco, a responsabilidade e não recorre a pretextos. Quem aspira a criar história entra no relvado com objectivos elevados e, desde o arranque desta temporada, o FC Porto tem procurado a excelência com todas as suas capacidades", afirmou o líder do FC Porto, referindo-se à Taça de Portugal como... a Taça Sporting.

"Na 'Taça Sporting', contra o Sporting, fomos afastados. E, uma vez mais, evidenciou-se o que temos sentido ao longo da época: o FC Porto deve ultrapassar não apenas rivais, mas também o aspecto imprevisível e desordenado da partida, num jogo adicional onde surge vontade de comentar: 'É infrequente, mas ocorre com frequência'. Por isso, declaro com absoluta transparência: no campeonato, devemos entregar tudo. No FC Porto, festejamos unicamente após a vitória. Assim nos formaram e assim nos respeitaram sempre. Aqui, não há entusiasmo prematuro. Existe demanda, atenção, dedicação e, apenas uma convicção, se pretendermos triunfar de verdade, precisamos de empenho máximo nos derradeiros três encontros para concretizarmos o que tanto ambicionamos", expressou.

"No Dragão presenciamos outro caso de mesquinhez"

O Sporting surge novamente como alvo principal na comunicação do presidente do FC Porto.

"Alguns promovem a noção de que 'se o VAR surgisse antes' conquistariam mais troféus no seu clube preferido. É uma queixa habitual e significativa. Significativa pois, com ou sem VAR, existiu uma verdade que esses 'prejudicados' tiveram de aceitar: na sua era, o FC Porto obteve a Taça dos Campeões Europeus, a Champions League, a Taça UEFA, a Liga Europa e a Taça Intercontinental em duas ocasiões! Tornou-se campeão nacional, bicampeão, tricampeão, tetracampeão, pentacampeão. Esse desconforto, ao que parece, perdura. Irrita. Perturba. E é por isso que no Dragão testemunhamos mais um exemplo dessa estreiteza: a opção por uma entrada discreta, via porta de serviço, para escapar ao confronto directo com o legado do FC Porto. Quando o legado impressiona, certos optam por evitá-lo. Nós lidamos com ele diariamente, pois fomos nós quem o erigiu com o nosso esforço e a determinação que nos caracteriza, algo que, para eles, permanecerá sempre fora de alcance, com ou sem VAR", indicou André Villas-Boas, recordando o incidente antes do FC Porto-Sporting, da segunda parte das meias-finais da Taça de Portugal, onde os leões solicitaram acesso ao vestiário por via alternativa ao costume.

"A esse mal-estar adiciona-se o caso do FC Porto-Sporting no andebol. E envio uma nota precisa: o FC Porto mantém-se sereno e colabora com as autoridades. Possui documentação completa sobre os factos, as acções realizadas e as omitidas. Os envolvidos que escolheram a calúnia e a mancha à instituição enfrentarão as repercussões até ao fim. No FC Porto, a salvaguarda do clube não surge de emoção: constitui uma postura sólida, fundamentada e comprovada. Quem decide agredir a entidade pagará o custo das suas opções. Isto evoluiu ao ponto de solicitarem encontros urgentes ao mais alto escalão político. E, quando o desporto atinge tal degradação, importa que o país capte a gravidade ou o sentimento de inferioridade de certos. O que se seguiu foi a imagem de uma era peculiar: textos lidos de forma mecânica por um presidente, para não desviar da história imposta pelos seus assessores de imprensa, e um sistema de media sempre activo para criar ilusões, como se o futebol fosse um cenário e não uma competição", esclareceu André Villas-Boas, abordando também a distorção da opinião pública.

"Contudo, este padrão observado esta temporada afeta não só o FC Porto, mas também os árbitros que, por inadvertência, falham contra o Sporting. Nos canais ligados ao verde, os árbitros sofrem análise exaustiva em cada escolha, como se um lapso equivalesse a traição ao emblema lisboeta e como se a pressão mediática servisse de ferramenta válida para 'ajustar' o jogo. Isto representa o actual 'sistema' do futebol português: influenciar opiniões, ambientes, deliberações. Hoje surge o lance do penalti, amanhã a recarga, depois o cartão 'educativo', em seguida o cartão branco, e a essência da partida torna-se prisioneira da direcção que orienta os guiões", prosseguiu o presidente do FC Porto, terminando com a protecção a Francesco Farioli.

"A isto acrescem inúmeras ofensivas pessoais e laborais ao nosso técnico, Francesco Farioli, por vários comentadores. Uns sem credencial jornalística, meros observadores, outros que ignoram a sua própria credencial e alternam entre jornalistas e comentadores oportunos, investem com rancor, linguagem grosseira e sugestões que, em qualquer ambiente razoável, seriam intoleráveis. Farioli labuta, expõe-se, comanda, arrisca, responde. Por tal, converte-se em objectivo. Mas afirmo com nitidez: o FC Porto resguarda os seus. Resguarda-os com determinação, pois aqui, 'no Norte', os nossos permanecem invioláveis. Mas concentremo-nos no vital. O campeonato aproxima-se. O passo final está ao alcance. Tão próximo e tão distante simultaneamente. A reacção deve ser a habitual: dedicação, coesão e esforço. Sem celebrações. Sem desvios. Sem interferências, mas necessitando da vossa energia total. Confio em vós", finalizou.

O texto integral de André Villas-Boas:

"Queridos adeptos do Porto,

abril configurou-se como fase de avaliação. Fase de resoluções, pressão e requisitos supremos. Trouxe-nos igualmente à situação actual. Para o avanço decisivo, requer-se a solidariedade colectiva. Na assistência, no balneário e em redor do nosso estandarte. Nesta conjuntura, o campeonato não se pratica: alcança-se. E alcança-se só com atenção plena. Na Liga Europa, fomos excluídos, sem dúvida. Mas quem presenciou a partida compreende o espírito Porto. Actuar com dez por aproximadamente oitenta minutos, observando atletas a despenderem tudo, a progredirem ao extremo, a resistirem e a manterem fé na reversão é a evidência suprema do percurso desta equipa até agora. Uma equipa no molde Porto, que não evade o perigo, a obrigação e não se abrigue em justificações. Quem pretende forjar legado entra em campo com aspirações nobres e, desde o início desta temporada desportiva, o FC Porto tem incansavelmente buscado o triunfo com toda a sua potência.

Na 'Taça Sporting', perante o Sporting, tomámos o caminho da derrota. E, novamente, manifestou-se o que sentimos ao longo da temporada: o FC Porto necessita de vencer não só oponentes, mas o elemento volúvel e tumultuoso da modalidade, num confronto onde apetece notar: 'É excepcional, mas repete-se com assiduidade'.

Assim, comunico com franqueza absoluta: no campeonato, urge o máximo esforço. No FC Porto, só jubilamos após o êxito. Assim nos educaram e assim nos temeram perpetuamente. Aqui, inexiste contentamento antecipado. Prevalece a reivindicação, a focalização, o engagement e, unicamente uma certeza, se almejarmos a conquista real, devemos 'fazer das entranhas coração' nestes três jogos finais para materializarmos o sonho acalentado.

Entretanto, a organização Porto e os seus colaboradores labutam intensamente para recompensar os associados pelo suporte prestado. Na formação, o labor exemplar não se avalia só pelos troféus possíveis. Avalia-se pelas fundações para o porvir. Pelo padrão. Pela proximidade aos jovens e ao seu potencial, desenvolvendo-o individual e colectivamente. Pelo progresso técnico, mas também humano, social e pedagógico. Pelo seguimento, pela exigência e pela maneira como formamos atletas para rivalizar e indivíduos para encarnar o nosso emblema. Por isso, independentemente do resultado dos próximos desafios, envio os cumprimentos a José Tavares e a toda a equipa da formação futebolística. O trajecto que traçamos é rigoroso. E, no FC Porto, isso conta: rigor, sistema e persistência.

Outro empreendimento que nos orgulha e que, em dois anos, se impôs como poucos é o futebol feminino. A ascensão à Primeira Liga constitui realização notável. Realização que enobrece o clube e ilustra o vigor de uma visão quando cultivada com ambição e proficiência. Mas reitero: não é apenas a promoção. É a actuação. É a vontade. É a veemência. É a identidade com que estas jogadoras disputam e a vitalidade emanada do treinador Daniel Chaves, das atletas, do Professor José Manuel e da Joana. É a postura com que se apresentam em cada terreno como conscientes do traje desportivo. E é também a final da Taça, atingida com justiça plena. Estas raparigas enalteceram-nos como poucas. E merecem que o FC Porto as apoie, com idêntico suporte e demanda aplicados a todas as nossas equipas. Este projecto erigiu-se de modo robusto, assente em indivíduos valiosos, com dinamismo e perspectiva.

Mas o FC Porto transcende uma única disciplina, ou uma só maneira de contender e vencer. É uma entidade diversificada, composta de múltiplas lutas, vitórias e uma demanda constante que permeia a sua essência.

E abril evidenciou-o com nitidez. A obtenção da Taça de Portugal de voleibol, da Taça de Portugal de bilhar e da Taça Nacional de goalball, que reforçou o FC Porto como modelo de integração, resiliência e orgulho desportivo. Todas estas aquisições ultrapassam os galardões: incarnam a nossa tradição vitoriosa. Acrescentam-se a elas desempenhos individuais proeminentes na natação e no bilhar, que acentam a amplitude competitiva do clube e a excelência de todas as actividades em seu nome. No FC Porto, vencer não é mero fim. É dever. E é esse dever que prosseguimos a cumprir, em cada campo, pavilhão, piscina, disciplina.

Agora, abordemos o que certos desejariam que o FC Porto ignorasse.

Alguns difundem a ideia de que 'se o VAR existisse antes' acumulariam mais distinções no seu clube de eleição. É queixa persistente e elucidativa. Elucidativa porque, com ou sem VAR, houve factos que esses 'vítimas' tiveram de assimilar: na sua época o FC Porto conquistou a Taça dos Campeões Europeus, a Champions League, a Taça UEFA, a Liga Europa e a Taça Intercontinental duas vezes! Campeão nacional, bicampeão, tricampeão, tetracampeão, pentacampeão. Esse incômodo, aparentemente, não dissipa. Provoca irritação. Inquieta. E por tal no Dragão observámos outro exemplo dessa limitação: a preferência por entrada reservada, pela porta secundária, para fugir ao embate frontal com o fardo histórico do FC Porto. Quando o histórico oprime, alguns optam por contorná-lo. Nós interagimos com ele cotidianamente, pois construímo-lo com o nosso labor e a distinção que nos define, algo inalcançável para eles, com ou sem VAR. A esse desassossego soma-se o incidente do FC Porto-Sporting no andebol. E envio mensagem inequívoca: o FC Porto permanece calmo e auxilia a justiça. Documentou-se integralmente sobre os eventos, as acções e as ausências. Os implicados que elegeram a difamação e a tentativa de sujar a entidade responderão até ao limite. No FC Porto, a protecção do clube não provém de impulsos: é posição resoluta, apoiada e verificada. E quem opta por ofender a entidade arcará com as consequências das decisões. Isto progrediu ao estágio de implorarem audiências urgentes ao pináculo político. E, quando o desporto atinge tal baixura, convém que a nação compreenda a escala do issue ou o complexo de inferioridade de uns. O subsequente foi o retrato de era insólita: roteiros declamados por um presidente, para não errar a versão dos seus orientadores de comunicação, e mecanismo mediático sempre em acção para gerar aparências, como se o futebol fosse estaleiro e não desporto.

E, no centro disto, persistem elementos que não se podem ocultar: a parcialidade é evidente, a falta de debate é intencional e a recusa em validar na origem persiste, pois o fim de torcer a opinião pública supera o respeito pela entidade e os seus membros.

Porém, este fenómeno registado esta temporada incide não só no FC Porto, mas também nos árbitros que, por engano, erram contra o Sporting. Nos canais vinculados ao manto verde, os árbitros enfrentam escrutínio em cada resolução, como se um equívoco fosse deserção ao clube capitalino e como se a coacção pública fosse meio aceitável para 'rectificar' a partida. Isto constitui o recente 'sistema' do futebol português: manipular visões, contextos, veredictos.

Hoje é o caso do penalti, amanhã a repetição, depois o cartão 'pedagógico', logo o cartão branco, e a realidade do jogo fica cativa da brisa que impulsiona os roteiros para os estúdios e redacções de certos periódicos.

A isto adicionam-se inúmeras investidas pessoais e profissionais ao nosso treinador, Francesco Farioli, por diversos analistas. Uns sem habilitação jornalística, simples comentadores, outros que desrespeitam a sua própria e oscilam entre jornalistas e comentadores convenientes, assaltam com ódio, vocabulário rude e alusões que, em qualquer cenário sério, seriam inadmissíveis. Farioli opera, apresenta-se, dirige, ventura, reconhece. Por isso, vira meta. Mas declaro com clareza: o FC Porto ampara os seus. Ampara-os com solidez, porque aqui, 'no Norte', os nossos são sagrados. Mas centremo-nos no primordial.

O campeonato urge. O passo derradeiro urge. Tão acessível e tão remoto ao mesmo tempo. E a réplica deve ser a perene: dedicação, união e labor. Sem euforia. Sem interrupções. Sem barulho, mas com urgência da vossa potência integral. Apelo a vós. Sempre.

Viva o Futebol Clube do Porto"