Villas-Boas confessa: "Farioli alcançará os gigantes europeus? Creio que sim"
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Encontro com Farioli: "O primeiro contacto que tive com ele foi no Catar, algo que ele só me recordou recentemente. O Francesco, durante o tempo na Aspire, acompanhou-me no Zenit e no Shanghai SIPG, devido aos estágios que realizava na Aspire entre temporadas ou em pré-épocas, como no caso do Shanghai. Assim, foi a primeira vez que ele me observou como treinador. Tornei-me mais consciente do trabalho de Francesco Farioli através da sua actuação em França, onde se estabeleceu de vez como treinador, com abordagens inovadoras nas ideias, no método e na liderança. Antes do Nice, há naturalmente o episódio na Turquia, onde o seu nome surgiu ligado ao Braga como possível treinador, e um percurso inicial promissor na carreira".
Treinador no FC Porto: "Isso constrói-se gradualmente. No âmbito das relações, o impacto inicial é crucial e muitas vezes ouve-se que em 20 segundos se pode captar a comunicação, personalidade e carácter de alguém. O subconsciente humano absorve depressa as traças principais de um líder. Em seguida, surge a validação através do treino, resultados, jogos, empatia e reconhecimento das qualidades individuais, algo que evolui com o tempo. Houve uma convicção mútua entre jogadores e treinador, com sinergias que se desenvolvem à medida que o processo avança e o treinador consolida o seu labor".
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Diálogos tácticos: "São trocas habituais, baseadas no meu entendimento natural do jogo, fruto da minha formação como treinador. Os princípios que apliquei nas minhas equipas, a orientação que lhes dei, o meu próprio sistema. Cada treinador possui o seu método, uma ferramenta e arma para avaliar competências e intervenções. Partilhamos conceitos, mas cabe ao treinador implementar o seu estilo. É o domínio dele em campo. Farioli mencionou que sugeri posicionar o Samu a cobrir cantos no poste próximo? São anedotas que ele partilha, mas as nossas conversas fluem de modo descontraído e informal, sem qualquer imposição de presidente a ditar acções ao treinador".
Mercado de inverno: "Houve um consenso de ideias sobre o mercado de janeiro, envolvendo jogadores que o treinador conhece e com quem já colaborou; outros desconhecidos, mas com potencial para o seu esquema. Além disso, o esforço colectivo de scouting em atletas jovens como Oskar Pietuszewski, que se integrou velozmente e contribuiu logo com golos e assistências. Quanto à vinda do Thiago, tratou-se de uma chance de mercado que pretendíamos agarrar. Estávamos preocupados com apenas três defesas centrais disponíveis, devido à lesão de Nehuén e à rotura do tendão de Aquiles. Sabendo que Pablo Rosario ofereceu solidez e jogou muito a central, garantindo fiabilidade, mas a ocasião com Thiago Silva foi irrepetível. Acresce o factor emocional de repatriar Thiago Silva ao FC Porto, após a experiência na equipa B e as emoções difíceis dessa fase. Este regresso é encantador e ter um jogador da sua veteranice, currículo e títulos, capitão do Brasil, no nosso clube enche-nos de orgulho único. Foi uma proposta do agente que nos pareceu inacreditável. Após a conversa com ele, contactei o treinador, que ficou entusiasmado, e talvez tenha sido a contratação mais célere que fechámos".
Perspectivas futuras: "Respeitando todas as opiniões, os treinadores são obviamente cortejados por outros emblemas. Observamos cada vez mais a volatilidade nos grandes mercados para a carreira de treinadores. Este ano assistimos a casos particulares, sobretudo na liga considerada a melhor do mundo, com subidas e quedas rápidas. O mercado de treinadores é instável, sucessos viram insucessos num instante, e nesses momentos valorizam-se os locais actuais, o que os clubes proporcionam, a estabilidade oferecida e a harmonia perfeita em ideias, estrutura e funcionamento, algo raro como o FC Porto hoje. Ele certamente reconhecerá aqui a estabilidade, suporte, conceitos e enquadramento que reforçam o treinador e o seu método. Alcançar os maiores gigantes europeus? Com a juventude e o êxito que antecipamos no FC Porto ao longo de anos, creio que sim".