Taça de Portugal: Torreense torna-se o primeiro clube secundário a conquistar o troféu

Taça de Portugal: Torreense torna-se o primeiro clube secundário a conquistar o troféu

Na 86ª edição da competição, um penálti convertido por Stopira aos 113 minutos garantiu a vitória histórica da equipa liderada por Luís Tralhão, assegurando também um lugar na próxima edição da Liga Europa. O jogo terminou 1-1 no tempo regulamentar, com golos de Kevin Zohi aos quatro minutos para os visitantes e Luis Suárez aos 54 minutos para os anfitriões, que ambicionavam o seu 19º troféu.

Envolvido no play-off de acesso à primeira divisão, começado na quarta-feira com um empate frente ao Casa Pia (0-0), o clube de Torres Vedras alcançou a final da Taça de Portugal pela segunda vez. A primeira ocorreu na temporada 1955/56, quando foi derrotado por 2-0 pelo FC Porto, também no Estádio Nacional em Oeiras.

Há 70 anos, o Torreense chegou à final da Taça de Portugal na sua primeira temporada na primeira divisão, estatuto que manteve durante mais cinco épocas, até 1991/92, e que agora pretende recuperar após a vitória histórica sobre o Sporting, vice-campeão nacional, que falhou a conquista do tricampeonato.

Os anfitriões ocupam o terceiro lugar no palmarés da Taça de Portugal, com 18 conquistas - sem títulos consecutivos desde 2007/08, atrás do FC Porto, segundo clube mais titulado, e do recordista Benfica, com 26 troféus.

Até esta 85ª final, os três grandes clubes portugueses sempre venceram quando enfrentaram adversários de divisões inferiores na final da segunda competição mais importante do país, com três vitórias do Benfica, uma do FC Porto e uma do Sporting, derrotado nesta ocasião.

Neste contexto histórico, os anfitriões defrontaram a única equipa do terceiro escalão a chegar à final em 86 edições da Taça de Portugal. Em 2001/02, um golo do brasileiro Mário Jardel foi suficiente para derrotar o Leixões (1-0).

Após essa derrota e da subsequente falha na promoção à Liga 2, os matosinhenses competiram na Europa na temporada seguinte, enquanto o Sporting quebrou um jejum de sete anos sem títulos na Taça, celebrando a dobradinha, tal como o Benfica em 1942/43.

Na primeira final da Taça de Portugal não exclusivamente disputada entre equipas da primeira divisão, os encarnados golearam o Vitória FC (5-1), com golos de Rogério Pipi, Manuel da Costa, Julinho, autor de uma dobradinha, e Armindo, que marcou contra a sua própria equipa - Amador fez o único golo dos sadinos.

O Vitória FC tinha eliminado o FC Porto nas meias-finais com uma vitória por 7-0 e competia na segunda divisão em 1942/43, mas ascenderia à elite na temporada seguinte. Nessa altura, no Campo das Salésias em Lisboa, o Estoril Praia, então na segunda divisão, foi derrotado pelo Benfica na final (8-0).

Rogério Pipi, com cinco golos, Julinho e Arsénio determinaram o resultado mais desigual de sempre numa final da Taça de Portugal, apesar de os cascalenses terem eliminado o FC Porto nos quartos-de-final e ascendido à primeira divisão como campeões da segunda liga.

O Benfica voltou a levantar o troféu na terceira final entre equipas de divisões diferentes, ao vencer o Vitória de Setúbal (3-0) em 1961/62, com golos de Eusébio, por duas vezes, e Domiciano Cavém, num jogo disputado no Estádio Nacional antes da promoção dos sadinos à primeira divisão.

Na baliza do Vitória FC estava o falecido Mourinho Félix, pai de José Mourinho, atual treinador do clube e potencialmente regressado ao Real Madrid após a sua segunda passagem pelo Benfica.

O Benfica não tinha reconquistado o título nacional em 1943/44 e 1961/62, assim como o FC Porto em 2009/10, temporada em que os dragões venceram o Chaves (2-1) em Oeiras.

Os colombianos Fredy Guarín e Radamel Falcao foram decisivos no segundo de três títulos consecutivos dos azuis e brancos, com o suplente Paulo Clemente a marcar o golo da vitória sobre os flavienses, recém-promovidos da terceira divisão.

Já em 1989/90, nenhum dos grandes clubes chegou aos quartos-de-final, e a Taça foi novamente disputada por equipas de divisões diferentes. O Estrela da Amadora, da primeira divisão, venceu o Farense, promovido da segunda liga.

Após um empate no primeiro jogo (1-1, após prolongamento), a equipa da Reboleira impôs-se no jogo de desempate frente aos algarvios no Estádio Nacional (2-0), conquistando o seu primeiro troféu com golos de Paulo Bento, futuro selecionador nacional, e Ricardo Lopes.

Vitória FC, Estoril Praia, Farense, Leixões e Chaves superaram sempre equipas da primeira divisão nas edições em que representaram divisões inferiores na final da Taça de Portugal, tal como o Torreense, vitorioso frente ao Casa Pia em Rio Maior, cidade onde terminará a época com a segunda mão do play-off da Liga na quinta-feira.