Tabu entre Abel Ferreira e Artur Jorge ganha novo capítulo no Brasil
O agora treinador do Cruzeiro é o técnico que Abel mais enfrentou no futebol brasileiro sem jamais ter vencido. Os quatro confrontos contra o Palmeiras, ainda com Artur Jorge no Botafogo, têm placar agregado de 8 a 4, somando Brasileirão e Libertadores.
Faz parte da lista a final antecipada do Campeonato Brasileiro de 2024, quando os dois lados se enfrentaram em São Paulo, na 36ª rodada. Palmeiras e Botafogo chegaram empatados, com 70 pontos. O time da Estrela Solitária abriu o placar em cobrança de escanteio, com Gregore, no primeiro tempo.
Confira a classificação do Brasileirão
Na metade da etapa final, a expulsão de Marcos Rocha, lateral do Palmeiras à época, desequilibrou o jogo. Savarino marcou logo depois, e Adryelson ampliou. O Palmeiras descontou apenas no fim, quando já não havia tempo para mais nada.
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O Botafogo seria campeão apenas na última rodada, ao vencer o São Paulo no Rio. O Palmeiras nem chegou a fazer sua parte: perdeu para o Fluminense em casa.
Nas categorias inferiores, ainda do outro lado do Atlântico, Abel (47 anos) e Artur Jorge (54) se enfrentaram duas vezes quando dirigiam, respectivamente, Sporting e Braga. Nas duas partidas, disputadas no primeiro semestre de 2012, também não houve vitórias para os comandados do atual técnico do Palmeiras.
Escola portuguesa, com certeza
Apesar de não terem sido formados no mesmo clube — Abel Ferreira passou pelo Braga já um pouco mais pronto, enquanto Artur Jorge, esse sim, é cria dos Guerreiros do Minho —, o que se verá no gramado sintético da Arena Barueri (já que a arena palmeirense, que não se chama mais Allianz Parque, receberá shows musicais neste fim de semana) são algumas características semelhantes no duelo. Uma delas é a forte preocupação com o setor defensivo.
Enquanto Artur Jorge ainda trabalha para cristalizar seu estilo de jogo, do lado esmeraldino as transições defensivas são um dos pontos fortes da equipe há anos. Uma diferença entre eles: o treinador do Cruzeiro solta um pouco mais os seus talentos para o jogo.
Desde que chegou à Toca da Raposa, o português nascido em Braga (Abel é de Penafiel) comandou o time em 13 partidas, somando Série A, Libertadores e Copa do Brasil. E não sofreu gols em sete delas. Nesse mesmo recorte — em que o Cruzeiro saiu da última posição para o 11º lugar no Brasileiro —, foram oito vitórias, dois empates e três derrotas, o que equivale a um aproveitamento de 67%.
Em casa, sem derrotas
Do outro lado, entretanto, apesar dos tropeços nas últimas duas rodadas da Série A — empate em casa contra o Santos e fora contra o Remo, ambos por 1 a 1 —, o Palmeiras não sabe o que é perder há 16 jogos. São 10 partidas de invencibilidade no Brasileiro, a maior sequência atual da competição, além dos compromissos pela Libertadores e pela Copa do Brasil.
O Palmeiras, neste momento, é um dos três melhores mandantes da competição. Furacão e Fluminense também somaram 19 pontos jogando em casa. Mas o Verdão tem um jogo a menos (sete) em relação aos outros dois. Além disso, o Palmeiras — ao lado do Flamengo — ainda não perdeu em casa nesta temporada. São seis vitórias e um empate, justamente no clássico contra o Peixe.
De um lado, um treinador que venceu títulos importantes, que entraram para a história do Botafogo, mas que saiu do país e agora volta. Do outro, outro treinador com convicções firmes, que se moldou no PAOK, da Grécia, e veio para o Brasil se arriscar – e que se orgulha de nunca ter sido demitido de um time que dirigiu. É mais um capítulo da história dos treinadores estrangeiros no Brasil, que tanto movimentaram, para melhor, o futebol deste lado do mundo em praticamente uma década.