Sócios do Boavista solicitam assembleia geral extra para afastar a direção
O texto, enviado ao presidente da Mesa da Assembleia Geral conforme os estatutos do clube, justifica o pedido de remoção dos órgãos sociais pela "impossibilidade superveniente" em exercer as funções.
Conforme os signatários, a permanência da Direção ficou impossível após a determinação da Administradora de Insolvência, a 18 de fevereiro de 2026, de encerrar "a coadjucação" (ajuda) da equipa directiva na administração do local.
O grupo refere ainda a "perda de confiança" da administradora de insolvência e da Comissão de Credores como motivos para a destituição.
No pedido, requer-se à mesa da Assembleia Geral a verificação das assinaturas em cinco dias úteis e a marcação da assembleia geral extraordinária em oito dias úteis depois do pagamento da importância estipulada nos estatutos.
Na agenda apresentada, para além da demissão da direção, os sócios sugerem a designação de uma comissão administrativa temporária, responsável pela gestão quotidiana do clube até às novas eleições para os órgãos sociais.
Os signatários desejam conceder a esta comissão autoridade para representar o Boavista de forma oficial perante a administradora de insolvência, a comissão de credores e o tribunal, de modo a promover uma solução de recuperação ou manutenção da actividade do clube.
No texto, assinado até às 15:20 por 274 sócios, solicita-se igualmente a fixação de um prazo para a convocação de eleições.
Esta acção acontece num ambiente de grande instabilidade, assinalado pelo anúncio da hasta pública do Estádio do Bessa e do complexo desportivo anexo, prevista para a semana seguinte, com um preço mínimo total de cerca de 38 milhões de euros.
A hasta realiza-se num período de "morte lenta" da instituição, que regista dívidas acima de 150 milhões de euros.
A direção, comandada por Rui Garrido Pereira, expressou surpresa com o prosseguimento do procedimento, destacando que prosseguiam negociações para soluções de sustentabilidade, e comprometeu-se a fazer tudo para impedir a alienação, ainda que admita que a transferência de activos pode dar-se na fase de liquidação.
A claque Panteras Negras também comunicou a intenção de recorrer aos tribunais para tentar impedir a hasta e anular o processo, descrevendo a possível perda do património como um “desfecho catastrófico”.
Em simultâneo, a SAD do clube, dirigida por Fary Faye, confirmou que segue de perto a situação e reforçou o dedicação à protecção dos interesses do Boavista e à preservação da sua actividade.
O estádio, sem uso desde maio de 2025 por ordem das autoridades, pertence a um complexo com cerca de 78 mil metros quadrados de área edificada.
O Boavista, campeão nacional em 2000/01, atravessa presentemente uma das etapas mais graves da sua existência, após a despromoção desportiva e o agravamento das dificuldades financeiras.