Sindicato de Jogadores prossegue com ferramenta de denúncias sobre manipulação de jogos

Sindicato de Jogadores prossegue com ferramenta de denúncias sobre manipulação de jogos

João Oliveira expressou essa pretensão na conferência sobre Integridade no Desporto, organizada pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), e confirmou posteriormente à Lusa que o sistema de denúncias contra o match fixing, pertencente à FIFPro, será posto em prática na temporada 2026/27.

"Acabámos de resolver os aspetos contratuais para a subscrição da plataforma, que já se encontra disponível e em uso por parte de alguns sindicatos afiliados à FIFPro. A UEFA deu o seu aval, uma vez que os atletas, por razões evidentes, receiam que as informações não alcancem as autoridades competentes caso os mecanismos de denúncia sejam geridos por federações ou ligas de forma institucionalizada", esclareceu o dirigente.

Para além de Portugal, países como Angola, Irlanda do Norte, Lituânia e República Democrática do Congo irão integrar o grupo dos 35 sindicatos nacionais que já dispõem da ferramenta.

Segundo a federação internacional dos sindicatos de futebolistas, este instrumento destina-se unicamente a denúncias anónimas, mas restringe-se a jogadores profissionais, com o objetivo de aprimorar a fiabilidade das dados recolhidos relativos às tentativas de adulterar resultados.

A ferramenta possibilita a partilha de documentos, imagens, gravações de áudio ou vídeo, tornando opcional a identidade do denunciante, e o alerta será encaminhado para as instâncias disciplinares das federações, podendo prosseguir para as equipas de combate à corrupção na polícia e no governo.

"Trata-se de um aplicativo para telemóvel que assegura a confidencialidade, pois o servidor situa-se fora de Portugal, embora estabeleça uma ligação direta entre a denúncia e a entidade responsável pela investigação, dependendo da escolha do SJPF", sublinhou João Oliveira, reconhecendo que o seu emprego "pode estender-se" ao futebol amador.

O jurista do SJPF participou como orador na conferência sobre Integridade no Desporto, promovida pelo IPDJ e realizada na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Além do match fixing, a sessão debateu diversos riscos à integridade desportiva, incluindo apostas desportivas, corrupção, lavagem de dinheiro e dopagem.