Sindicato de Jogadores deseja que situação de Prestianni sirva de lição contra a discriminação
Em entrevista à agência noticiosa, o líder do sindicato argumentou que esta situação deve servir como aviso para toda a indústria, enfatizando que atos de discriminação “não têm cabimento no futebol”.
“Racismo, homofobia, xenofobia, agressões, assédio ou uso de substâncias proibidas recebem a nossa condenação absoluta. Qualquer um que exiba estes padrões deve enfrentar punições”, declarou, adicionando que “o insulto de cariz homofóbico é igualmente grave ao racista”.
Consulte também: Prestianni suspenso por seis partidas pela UEFA devido a "comportamento discriminatório" no jogo com o Real Madrid
O representante lembrou que, desde o arranque do procedimento, o sindicato manteve a posição de presunção de inocência do atleta e a importância de uma investigação rápida dos eventos, notando que a UEFA cumpriu esses critérios.
“Foi essencial um procedimento disciplinar ágil e meticuloso, e assim foi”, comentou.
Mesmo com a sentença, o sindicato expressou vontade de prosseguir o apoio ao atleta, em colaboração com a FIFPRO e organizações sindicais da Argentina, abrangendo assistência legal e emocional.
O chefe do sindicato defendeu igualmente que a luta contra atitudes discriminatórias deve focar se principalmente na educação e consciencialização dos envolvidos no desporto, salientando a urgência de intensificar o treino dos atletas.
“Devemos usar estes episódios para transmitir que tais condutas acarretam repercussões e não são toleráveis”, observou.
Consulte também: Prestianni sancionado por homofobia e alegação de racismo é retirada
O líder opinou ainda que o futebol não escapa a estes problemas, que espelham conflitos sociais maiores, mas sublinhou que os seus intervenientes têm o dever de liderar pelo exemplo e fomentar um ambiente de respeito.
A resolução da UEFA ocorre após o médio do Benfica, Gianluca Prestianni, ter sido apontado pelo brasileiro Vinícius Júnior como autor de ofensas racistas, durante o embate com o Real Madrid, válido pelo play off de qualificação para os oitavos de final da Liga dos Campeões.
Na partida, realizada a 17 de fevereiro, o juiz parou o jogo e ativou o protocolo contra o racismo, na sequência da queixa do selecionado brasileiro.
Embora a imputação inicial envolvesse racismo, a determinação final da UEFA, divulgada esta quarta feira, puniu o argentino por "comportamento discriminatório (homofóbico)", com uma suspensão de seis jogos.
Para além da sanção ao atleta, os acontecimentos levaram a uma coima de 40.000 euros ao Benfica e ao encerramento parcial do estádio (500 assentos) por um ano, com a pena em suspenso, por causa das ações dos espetadores no mesmo encontro.