Seleção feminina do Irão está 'muito preocupada' com as suas famílias no país

Seleção feminina do Irão está 'muito preocupada' com as suas famílias no país

A técnica Marziyeh Jafari da seleção iraniana afirmou esta quarta-feira, dia 4, que a sua equipa, que se encontra na Austrália a disputar o Campeonato Asiático de Futebol Feminino, está "muito preocupada" com os familiares no Irão, que tem sido alvo de bombardeamentos desde sábado, e que as jogadoras se sentem "totalmente desligadas" da prova.

No arranque para o jogo contra a dona da casa Austrália em Gold Coast na quinta-feira, dia 5, após uma derrota por 3 a 0 frente à Coreia do Sul na partida de abertura, a equipa regressará ao relvado ciente de que o seu país está a ser bombardeado desde sábado pelos Estados Unidos e por Israel, assaltos que acabaram com a vida do líder supremo, o ayatolá Ali Khamenei.

Sem ligação à internet, as elementos da delegação iraniana não obtêm informações sobre os seus familiares e amigos.

"Claramente estamos bastante ansiosas com as nossas famílias, os nossos entes queridos e todas as outras pessoas no nosso país", disse a treinadora, realçando as dificuldades em pensar no contexto desportivo.

"Chegámos aqui para jogar futebol de forma profissional e faremos tudo ao nosso alcance para nos focarmos no jogo que nos espera", sublinhou.

Ainda assim, Jafari mostrou-se grata pelo suporte que têm recebido dos iranianos que residem na Austrália. "Sentimo-nos muito contentes com o apoio dos iranianos australianos aqui", afirmou à comunicação social australiana.

Segundo a avançada Sara Didar, de 21 anos, os responsáveis pelo futebol asiático forneceram "todo o apoio e assistência" à sua equipa, que desembarcou na Austrália alguns dias antes do início do conflito.

O Irão teve uma estreia memorável no último Campeonato Asiático, realizado na Índia em 2022, o que elevou as jogadoras a heroínas nacionais num país onde os direitos das mulheres são duramente restringidos.