Real Madrid em turbulência: Mbappé, Mourinho e a desordem pré El Clásico
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A época do Real Madrid mantém-se aquém do previsto e a tensão sobre o grupo de Álvaro Arbeloa cresce de modo acentuado. Faltando quatro rondas para o término da liga, os blancos estão a 11 pontos do detentor do título e rumam para um segundo ano seguido sem um prémio de peso.
Num emblema onde o triunfo é quase um dever, os indícios de desequilíbrio multiplicam se. O clima à volta do Santiago Bernabéu fica cada vez mais carregado, com alguns sócios a dirigirem críticas a Kylian Mbappé, censurado por aparente falta de empenho e dedicação em certos instantes da campanha.
Ademais, os media espanhóis relatam dois incidentes de altercações em sessões de treino recentes, sinal de um camarote sob imensa carga num momento crucial do ano.
Diante desta conjuntura, o líder Florentino Pérez pondera alterações profundas na organização técnica da agremiação. Dentre os nomes em destaque aparece o de José Mourinho, que poderia retornar ao Bernabéu numa das opções mais faladas para restaurar equilíbrio e pujança ao colosso ibérico.
A turbulência no Real Madrid não dá mostras de desacelerar. De acordo com os jornais espanhóis, o técnico Álvaro Arbeloa, que tomou as rédeas do conjunto após a partida de Xabi Alonso em janeiro, detém uma ligação conflituosa com múltiplos membros do elenco.
As dificuldades acumulam se numa etapa especialmente sensível do calendário e a organização para o Clássico vindouro ocorre longe de uma atmosfera serena. Para piorar o quadro, o zagueiro Ferland Mendy padeceu de um trauma na perna que o deixará fora dos campos por aproximadamente cinco meses, uma ausência grave para os madridistas.
Como se isso não chegasse, o periódico Marca noticiou que Aurélien Tchouaméni e Federico Valverde quase entraram em confronto mais grave no treino de quarta feira, depois de uma tacada mais forte num drill.
O caso evidencia novamente a pressão ascendente no interior do camarote blanco, num período em que os desempenhos e o clima interno prosseguem a elevar o stress sobre a direção chefiada por Florentino Pérez.
"As divergências entre os atletas são claras, e certos quase não se dirigem a palavra. A interação com Álvaro Arbeloa também é complicada, num panorama em que o stress e o fadiga alcançaram o seu limite - seis elementos negam se a comunicar", referiu o jornal ibérico acerca do conflito no emblema.
Os vestígios de conflito no camarote do Real Madrid não constituem novidade nas últimas semanas. Antes do recente atrito entre Aurélien Tchouaméni e Federico Valverde, já havia ocorrido outro lance com os defensores Antonio Rüdiger e Álvaro Carreras.
O defesa ibérico assegurou por ora que o assunto foi resolvido, utilizando as plataformas sociais para minimizar o episódio. “Quanto ao incidente com um colega, tratou se de um caso pontual e irrelevante, que já se solucionou”, postou Carreras no Instagram. “O meu vínculo com o grupo todo é excelente.”
No entanto, o atleta regressou aos olhares no derradeiro fim de semana. Normalmente de início na ala esquerda da retaguarda, Carreras foi suplantado por Fran García nas escolhas para cobrir o machucado Ferland Mendy na triunfo sobre o Espanyol.
Os media espanhóis realçam ainda fotografias do zagueiro a exibir um sorriso no suplente após a inclusão de Fran García, atitude que serviu para instigar novas leituras sobre o ambiente no elenco madridista.
Críticas a Mbappé
A carga sobre Kylian Mbappé não para de crescer em Madrid e o representante gaulês surge mesmo incerto para o Clásico próximo, por causa de um ferimento num tendão que o incomoda há semanas.
O ponta de lança do Real Madrid esteve de novo no epicentro da controvérsia após ser avistado em folga na Sardenha ao longo do tempo de cura, facto que provocou ampla reprovação entre os fãs madridistas, já insatisfeitos com o contributo geral do conjunto nesta fase terminal da liga.
O mal estar assumiu proporções tal que uma iniciativa chamada “Mbappé Fora”, lançada em canais sociais e sítios online, já colheu quase 30 milhões de apoios, numa campanha que clama por transformações radicais no elenco com vista ao porvir da agremiação.
Contudo, um colaborador próximo do staff do atleta assegurou à AFP que as censuras ao ponta de lança são “excessivas”, argumentando que Mbappé permanece inteiramente dedicado ao plano madridista.
Todavia, Álvaro Arbeloa, famoso por salvaguardar abertamente as estrelas do elenco, emitiu indícios de descontentamento nos dias recentes, ao confessar que aguarda maior envolvimento e vigor das peças chave num estágio vital do ano.
"Não erguemos o Real Madrid com atletas que atuam de smoking, mas com aqueles que acabam os encontros com as camisolas encharcadas de suor e sujidade, por meio do labor e da renúncia", afirmou Arbeloa após o Real Madrid superar o Espanhol sem Mbappé, para postergar as festas do título do Barça.
A possível chegada de José Mourinho a este ambiente agitado pode soar como uma jogada ousada, mas o comandante luso emerge, conforme os media espanhóis, como um dos preferidos de Florentino Pérez para tomar o leme do Real Madrid.
O patrão madridista preserva uma profunda estima por Mourinho desde a sua estada no clube de 2010 a 2013. Apesar do debate que pontuou essa era, o luso logrou interromper a supremacia do Barcelona de Pep Guardiola e ajudou a erosionar o reinado dos catalães, num tempo anterior à partida do mentor ibérico.
Nos anos mais recentes, o Real Madrid viu partir diversas personalidades de comando no camarote, como Luka Modric, Toni Kroos e Nacho Fernández, atletas que por longo tempo asseguraram solidez desportiva e peso interno.
Nessa ótica, alguns creem que Mourinho poderia recompôr o coletivo, repor a ordem e reinstaurar comando a um camarote que parece padecer de um tempo de descontrole. Outros, entretanto, temem que o temperamento forte do técnico luso possa agravar a desordem.
Antes de qualquer resolução organizacional, o Real Madrid prossegue concentrado em impedir que o concorrente Barcelona festeje o campeonato ainda neste sábado, no coração do Camp Nou, um enredo que até um emblema fragmentado deseja elidir a qualquer preço.