Pepê fala do título do Porto, da idolatria por Neymar e projeta Brasil na final da Copa

Pepê fala do título do Porto, da idolatria por Neymar e projeta Brasil na final da Copa

Durante conversa particular com o Flashscore o brasileiro explicou a alteração na equipa após a época complicada de 2024/25 os métodos do treinador italiano Francesco Farioli o clima no balneário perante as críticas vindas de fora e os instantes mais duros da época assinalados pelas perdas de Pinto da Costa Diogo Jota e Jorge Costa.

Confira a classificação da Liga Portugal

Pepê recordou também o peso de Thiago Silva e Luis Díaz no seu desenvolvimento revelou a admiração por Neymar a nova fase do Brasil com Ancelotti falou do regresso do Porto à Liga dos Campeões e deixou mensagem especial aos adeptos após uma época em que assegura o grupo logrou voltar a dar orgulho ao clube.

No Flashscore temos o prazer de visitar um dos novos campeões nacionais de futebol. Na verdade alguém que repete uma façanha que já viveu no passado. Como se sente?

É realmente um sentimento incrível. Muito bom estar novamente no cogumelo com todos os nossos torcedores. É uma sensação única e fico muito feliz por poder repeti la mais uma vez.

Foi com certeza um ano duro para a equipa depois de uma temporada que ficou bastante abaixo daquilo que o Porto desejava e daquilo que é normal no clube.

Foi uma temporada muito difícil. Sabíamos que depois do campeonato da temporada passada precisávamos melhorar em muitas coisas e foi isso que procuramos fazer. Acho que o resultado fala por si o trabalho foi muito bem feito e todos estivemos comprometidos com o objetivo final que era sermos campeões. Graças a Deus conseguimos conquistar esse título.

Não quero entrar em comparações com o passado mas quando Francesco Farioli chega e traz os seus métodos como o plantel reage? Sabemos que ele é muito enérgico na forma como trabalha.

A reação foi muito boa. Sabemos da energia dele. O mister é alguém que gosta muito de trabalhar e de extrair o melhor de cada jogador. Acho que conseguimos perceber muito bem com clareza tudo aquilo que ele queria e aquilo que transmitia nos treinos. Isso foi fundamental para conseguirmos colocar as ideias em prática nos jogos e fazer exibições tão consistentes como fizemos.

A equipa entrou muito forte muitas vezes parecia esmagar os adversários. Vocês se sentiram muito fortes naquele começo de temporada?

Sim sem dúvida. Isso é fruto de muito trabalho. Como disse o mister gosta muito de trabalhar e nós percebemos muito bem aquilo que ele pretendia. Conseguimos transportar para os jogos o que fazíamos nos treinos e isso foi fundamental para alcançarmos os resultados e acima de tudo para entusiasmar os nossos torcedores.

O Pepê é um dos jogadores mais antigos do plantel. Está há cinco anos vai para seis. Foi campeão há quatro anos e voltou agora a repetir esse feito. Imagino que jogadores como o Pepê ou o Diogo Costa tenham sido fundamentais para ajudar o grupo a dar a volta por cima.

Foi uma temporada muito difícil e ninguém estava habituado ao que aconteceu no ano passado. Sabíamos que aquilo não podia se repetir e que precisávamos fazer as coisas de forma diferente. Procuramos ajudar principalmente os jogadores que chegaram agora acolhe los da melhor forma possível para que se sentissem em casa. Acho que isso foi fundamental para darmos a volta por cima e fazermos uma temporada incrível.

Chegou muita gente nova. O Gabri Veiga já vinha da Copa do Mundo de Clubes mas depois chegaram jogadores que acabaram por ser fundamentais. Pareceu visto de fora que se adaptaram muito rapidamente. Como foi esse processo de integração?

Foi um processo fácil porque com a qualidade que eles têm tudo se torna mais simples. Procuramos fazer com que se sentissem em casa com tranquilidade e confiança para continuarem a fazer aquilo que já faziam antes. E a qualidade deles ficou bem evidente. São jogadores com um potencial enorme sobretudo os mais novos. Ficamos muito felizes por termos contribuído para que a adaptação deles corresse bem.

Duas rodadas antes do fim chegou a consagração do título. Houve quem dissesse que a comemoração teve exageros algo que o próprio presidente André Villas Boas admitiu. Foi uma forma de libertar a pressão acumulada durante a temporada?

A temporada foi muito desgastante. Depois de tanto tempo sem ganhar sabíamos que precisávamos dar uma resposta sobretudo dentro de campo. Foi isso que procuramos fazer durante toda a temporada. Conseguimos voltar a trazer o título para os nossos torcedores e para o clube. E claro depois de uma temporada tão intensa acabamos por festejar da melhor forma possível.

Os responsáveis do futebol falam muito em blindar o vestiário. Visto de fora o plantel parecia muito unido mas houve sempre ruído exterior. Por exemplo algumas declarações vindas do Sporting. Isso mexeu com vocês?

Não interfere muito no nosso trabalho. Somos muito blindados em relação a isso. Sabemos que o importante é demonstrar dentro de campo. Procuramos focar no nosso trabalho e em melhorar o que fosse necessário. O ruído exterior não entra aqui dentro.

Mas quando dizem que o Porto não joga nada isso não mexe com o elenco?

É estranho ouvir certas coisas. Depois houve algumas brincadeiras entre os jogadores mas isso nunca nos definiu nem mexeu com a nossa cabeça. Sabemos bem aquilo que temos de fazer dentro de campo.

Falando do Sporting na semifinal da Copa de Portugal o Francesco Farioli usou você como exemplo do espírito deste grupo em jogada final com um sprint enorme para evitar o 2 a 0. É isso que significa deixar tudo em campo?

Sem dúvida. Ainda mais no Porto. A mentalidade do clube é essa. Seja no primeiro ou no último minuto temos de dar o máximo. Sentimos essa paixão dos torcedores em cada lance e tentamos corresponder dentro de campo. Esse é o espírito do Porto e é fundamental para estarmos mais unidos com os torcedores.

Sente se um exemplo para os mais novos ao ser citado dessa forma pelo treinador?

Fico muito feliz. É o reconhecimento do trabalho. Ter esse reconhecimento do mister e do grupo me motiva ainda.

Qual derrota doeu mais a da Liga Europa ou da Copa de Portugal?

As duas. Queríamos conquistar todos os troféus possíveis. Custaram nos bastante essas eliminações mas sabíamos que não podíamos nos abalar porque ainda tínhamos o campeonato pela frente. O grupo soube lidar bem com isso.

Em termos emocionais a temporada começou com a perda de Pinto da Costa depois veio a morte de Diogo Jota e também a perda de Jorge Costa. Não deve ter sido fácil lidar com tudo isso.

Não foi nada fácil. Estávamos muito motivados na pré temporada e essas notícias tiveram um impacto enorme em todos nós. Mas também serviram como motivação para continuarmos o caminho que eles gostariam que seguíssemos. Mexeu muito connosco mas conseguimos lidar da melhor forma possível.

Foram buscar força também à tristeza?

Sim. Sabemos que depois da tempestade vem sempre a bonança. Foi algo muito duro mas tivemos de encontrar forças para continuar e dar alegria às pessoas.

A referência Neymar e o irmão mais velho Thiago Silva

Falando de você como foi receber um jogador como Thiago Silva?

Foi incrível. Eu e o William Gomes até brincávamos porque nem sabíamos como chegar perto dele. Sempre o vimos na televisão um jogador de topo mundial campeão de praticamente tudo. Quando chegou parecia que éramos nós os novos no clube. É alguém que nos ajuda muito a evoluir.

E não é só o jogador é também a pessoa humana.

Exatamente. É como um irmão mais velho. Tem uma experiência enorme e ajuda muito no crescimento.

Enquanto jogador em quem é que se revê mais?

No Neymar. Sempre foi a minha maior referência. Pela alegria pela ousadia pelo futebol brasileiro. Acho que inspirou grande parte da minha geração.

Qual foi o adversário mais difícil que enfrentou?

O Declan Rice foi muito difícil. Parece que está em todo o lado. E entre os zagueiros o Gabriel Magalhães do Arsenal também foi muito complicado.

A Liga dos Campeões é um dos grandes atrativos da próxima temporada.

Sem dúvida. É uma competição diferente com os melhores clubes do mundo. O Porto merece estar lá e nós estamos muito felizes por termos colocado o clube novamente na Champions. É algo que o clube merece. Temos de aproveitar as férias descansar bem porque a próxima temporada vai ser ainda mais desgastante.

Finalmente vai ter férias de verdade...

Risos. Sim. Depois de dois anos finalmente vou conseguir descansar de verdade.

E vai ver a Copa descansado em casa?

Sim com a minha família os meus amigos o meu filho e a minha mulher. Aproveitar para descansar e voltar renovado.

Como vê esta nova era Carlo Ancelotti no Brasil?

É novidade para nós mas acredito que vai ser uma era muito vitoriosa. Quero muito voltar a ver o Brasil campeão do mundo. É a maior seleção do mundo.

A melhor final seria Brasil x Portugal?

Não seria má ideia mas Brasil x Argentina também seria muito boa. Risos. É uma rivalidade histórica muito boa em que tem choque de culturas. É um jogo muito especial.

Cinco anos depois sente se quase um brasileiro português?

Já sou quase português risos. Amo estar aqui a minha família ama estar aqui. O clube me acolheu de forma incrível desde o primeiro dia. Fico muito feliz por tudo aquilo que o clube faz por mim.

Como foi chegar ao Porto e ter de lidar com a concorrência de Luis Díaz?

Quando o Luis chegou aqui praticamente não tive hipótese. É um jogador incrível que me inspirava muito. Para mim foi muito importante tê lo ao meu lado. Ele me ajudou no crescimento e na adaptação. Foi fundamental para perceber melhor o futebol europeu e também o que representa o Porto.

Você tem contrato por mais dois anos e continua a ser um jogador muito cobiçado. Como olha para o futuro?

Não penso muito nisso. Estou muito feliz no Porto. Conseguimos conquistar o título depois de uma temporada desgastante e agora o mais importante é aproveitar para descansar.

Onde é que o Pepê se sente mais jogador?

Gosto muito de jogar entre linhas nas costas do centroavante mas também me sinto confortável como ponta. Nessas posições consigo estar à vontade e fazer o meu futebol.

Ao longo do tempo vimos um Pepê talvez menos exuberante no plano individual mas mais importante para a equipa. Sente se bem nesse papel?

Com o passar do tempo fui adquirindo essas características. Antes procurava muito mais o um para um mas fui percebendo melhor aquilo que o jogo pede. Ainda assim isso continua dentro de mim. Gosto de ir para cima do adversário procurar jogadas individuais e arriscar no um para um.

Pepê para terminar que mensagem deixa aos torcedores portistas?

Quero agradecer por esta temporada incrível e por todo o apoio. Sabemos que a temporada passada foi muito difícil muito desgastante em que não era o Porto e reconhecemos isso. Conseguimos dar a volta por cima e dar motivos de orgulho. E na próxima temporada vamos continuar a trabalhar para corresponder às expectativas deles.

Agora sim última pergunta esta entrevista também vai passar no Brasil. Que mensagem deixa aos seus compatriotas?

Que continuem a nos acompanhar. O apoio e as mensagens deles são muito importantes para nós e para o crescimento do nosso futebol. Espero que continuem connosco nessa caminhada.