Padrão FIFA sob lupa: rigor extremo e falhas de organização marcam sede de Miami na Copa

Padrão FIFA sob lupa: rigor extremo e falhas de organização marcam sede de Miami na Copa

No entanto, a experiência na "Magic City" mostrou-se drasticamente diferente das demais sedes. Abrigando os principais escritórios da FIFA nos Estados Unidos e contando com uma presença massiva de diretores e funcionários, Miami transformou-se na sede mais restritiva, vigiada e protocolar do torneio até aqui.

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A coordenação dos protocolos estabelecidos no caderno de encargos da FIFA é aplicada com punho de ferro.

Se por um lado a rigidez busca garantir o profissionalismo máximo, por outro, esbarra em problemas estruturais do próprio Hard Rock Stadium e em contradições do próprio staff que nem mesmo o "Padrão FIFA" conseguiu alinhar perfeitamente.

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"Babá de homem grande"

O clima no press box (tribuna de imprensa) do estádio do Miami Dolphins foi de tensão e vigilância constante, algo que não se viu no MetLife Stadium ou nas sedes mexicanas e canadenses. No entanto, o excesso de zelo acabou gerando bate-cabeça entre os próprios funcionários do estádio.

Relatos colhidos pela reportagem junto ao staff do estádio apontaram que as recomendações mudavam a cada partida: o que era permitido em um jogo passava a ser proibido no seguinte, deixando os próprios colaboradores confusos na hora de orientar a imprensa.

Em determinados momentos, o staff local chegou a ficar completamente perdido, tentando bloquear a entrada de jornalistas credenciados em setores que eram destinados especificamente para o trabalho da imprensa.

Apesar do esforço visível dos funcionários para fazer o melhor trabalho possível, o rigor foi levado ao extremo:

Varredura de Credenciais: Para evitar qualquer circulação não autorizada, absolutamente todos os crachás eram escaneados a cada mudança de setor, blindando os acessos como em nenhuma outra cidade da Copa.

Silêncio Solicitado: Seguranças circulavam pelas bancadas constantemente. Qualquer comentário mais caloroso sobre um lance ou comemorações mais efusivas eram prontamente reprimidos com pedidos de silêncio.

Proibição total de imagens: A gravação de vídeos na tribuna foi terminantemente proibida. A fiscalização em cima dos profissionais foi tão ostensiva que gerou um desabafo por parte da segurança do estádio ao flagrar jornalistas insistindo em filmar o campo:

"Não é possível que eu tenha que trabalhar de babysitter (babá) de homem grande. Já avisei que não pode e continuam insistindo."

Guerra das Frequências: Equipamentos de Wi-Fi portáteis levados por emissoras passaram por vistorias rigorosas para evitar qualquer tipo de interferência nas frequências de rádio oficiais utilizadas pela FIFA.

Contradições do Padrão FIFA: ingressos duplicados e pontos cegos. Apesar de todo o rigor e da intensa checagem de credenciais, a organização da própria FIFA e o staff local não ficaram imunes a erros crassos de logística. O maior deles envolveu a distribuição de assentos na tribuna.

Muitos jornalistas foram surpreendidos com ingressos duplicados para a mesma posição de trabalho. Com o setor lotado e o erro generalizado, os fiscais da FIFA abandonaram o protocolo de assentos marcados e deram uma ordem improvisada: "Sentem no lugar vago que encontrarem aí na frente".

Para piorar, a reacomodação forçada empurrou diversos profissionais para setores da tribuna com pontos cegos. 

Zona mista acanhada: outro ponto crítico da sede de Miami é a estrutura física reservada para as entrevistas pós-jogo. Em comparação com os gigantescos espaços vistos em outras sedes da América do Norte, a zona mista do Hard Rock Stadium é visivelmente menor e acanhada.

Devido ao espaço reduzido, a FIFA limitou drasticamente o fluxo de profissionais autorizados a entrar no local. Além disso, as regras de veiculação seguem à risca o cronograma comercial: embora as filmagens sejam permitidas dentro da zona mista, qualquer publicação ou transmissão do material audiovisual só pode ser feita 60 minutos (uma hora) após o término do conteúdo gravado.

Miami mostra que a proximidade com os escritórios centrais da FIFA eleva o nível de exigência e vigilância ao limite. Mas nem isso passa impune a erros organizacionais. 

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