Os números que fazem de Rabiot um dos pilares da França

Os números que fazem de Rabiot um dos pilares da França

Aos 31 anos, o camisa 14 vive a Copa do Mundo mais consistente de sua trajetória e se consolidou como o principal pilar tático da equipe de Didier Deschamps.

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Os números ajudam a explicar essa transformação. Titular nos quatro jogos da França até as quartas de final, Rabiot soma uma assistência, seis chances criadas, 90% de aproveitamento nos passes e média 7,5 nas avaliações do Flashscore, a melhor entre os meio-campistas franceses.

Também aparece como o terceiro jogador da equipe com mais passes longos certos, atrás apenas de Dayot Upamecano e Mike Maignan, e divide com Manu Koné o maior índice de precisão nos passes do elenco.

As estatísticas, porém, contam apenas parte da história. Em uma seleção desenhada para potencializar o talento ofensivo de Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé, Michael Olise e Désiré Doué, é Rabiot quem garante o equilíbrio do sistema.

Canhoto, com 1,91m, reúne atributos pouco comuns em um mesmo jogador: força física, inteligência posicional, qualidade técnica e capacidade de percorrer grandes distâncias durante toda a partida.

Atua como um autêntico meio-campista de área a área, protegendo a defesa, recuperando bolas, acelerando as transições e quebrando linhas com conduções ou passes verticais. É o jogador que conecta os setores da equipe e permite que os atacantes tenham liberdade para decidir as partidas.

Evolução

A importância de Rabiot cresceu ainda mais durante o mata-mata. Com Aurélien Tchouaméni fora de parte da fase eliminatória, Deschamps reorganizou o meio-campo sem alterar a função do camisa 14.

Ao lado de Manu Koné contra o Paraguai, coube a Rabiot controlar o ritmo da partida, oferecer cobertura aos laterais, coordenar a pressão sobre o adversário e organizar a saída de bola.

Mais do que um volante, tornou-se a referência do setor e o principal responsável por manter o funcionamento coletivo de uma França que aposta em intensidade, velocidade e ocupação agressiva dos espaços.

O momento representa o auge de uma trajetória marcada por reviravoltas. Em 2018, às vésperas da Copa da Rússia, Rabiot recusou integrar a lista de suplentes da seleção francesa depois de ficar fora da convocação principal.

A decisão provocou um rompimento com Didier Deschamps e com a Federação Francesa, deixando o jogador quase dois anos afastado da equipe nacional. O retorno aconteceu em 2020, impulsionado pela evolução apresentada na Juventus e pela convicção do treinador de que seu futebol voltaria a ser útil à seleção.

A redenção definitiva começou no Catar, em 2022. Com as ausências de Paul Pogba e N'Golo Kanté, Rabiot assumiu protagonismo no meio-campo francês e respondeu com atuações consistentes durante toda a campanha que terminou com o vice-campeonato mundial.

O desempenho consolidou sua relação com Deschamps e abriu caminho para que chegasse à Copa de 2026 em outro patamar.

Hoje, o jogador que durante anos chamou mais atenção pelas polêmicas do que pelo futebol tornou-se uma das lideranças silenciosas da seleção francesa. Sem ostentar o brilho de Mbappé ou Dembélé, Rabiot faz o trabalho menos visível, mas talvez o mais indispensável.

É ele quem dá equilíbrio, organiza o jogo e sustenta a estrutura tática de uma equipe que segue entre as principais candidatas ao título mundial.