Opinião: A não ida ao Mundial de 2026 encerra o ciclo de Neymar na seleção brasileira

Opinião: A não ida ao Mundial de 2026 encerra o ciclo de Neymar na seleção brasileira

O talento é algo escasso e evidente, porém um Mundial requer todos os jogadores no auge da forma. Pelo Santos nesta temporada, Neymar disputou 5 partidas, marcando 3 golos e oferecendo 2 assistências. Esses dados, analisados de forma objectiva, são positivos e provavelmente influenciaram o apoio crescente à sua possível convocatória. Ainda assim, persisto em considerar que o seu rendimento actual está bem aquém do que a selecção brasileira necessita.

Nos 74 encontros do Peixe desde a sua chegada, em princípios de 2025, participou em 33, o que representa uma presença de 44,5%. A consistência neste arranque de época, onde já falhou 12 das 17 partidas do Santos, constitui um objectivo a alcançar no curto e médio prazo.

É consensual que Neymar está longe de evocar o atleta dos seus dias de glória, aos quais tantos se apegaram. Não o imagino em plenas condições para impactar decisivamente pela equipa canarinha num Mundial.

A Amarelinha demanda bem mais do que Neymar tem demonstrado. O movimento pela sua inclusão parte de treinadores, colegas, jornalistas e fãs.

Cada pessoa tem o seu ponto de vista, mas forçar a presença de um jogador no Mundial baseando-se numa eventual faísca em momento crucial parece artificial. A forma física, marcada por lesões recorrentes, compromete a continuidade essencial.

Encaro a convocatória como algo remoto. Salvo se o seleccionador, que afirmou convocar apenas atletas em pleno estado físico, alterar a sua posição.

Não creio que Neymar justifique uma chamada a 18 de maio. A inclusão na pré lista de 55 nomes é viável, mas não significa grande coisa.

Excluir dos 55, o que não seria descabido, provocaria a ira dos apoiantes de um Neymar que já não é o de outrora. Levar o avançado ao torneio implicaria excluir outro elemento num ataque tão disputado, que exibiu maior estabilidade.

Referimo nos a um sector ofensivo com Raphinha, Vinícius Júnior, Matheus Cunha, João Pedro, Endrick e outros.

Não me persuadirei de que seria equitativo optar por alguém tão distante deste grupo. Neymar evoluiu para um jogador mediano, útil ao emblema, mas distante do merecimento para a selecção.

A não convocatória poderá marcar o fecho de um capítulo na sua ligação à Amarelinha. As suas múltiplas ofertas estão documentadas, mas deixaram de ser indispensáveis. O seu tempo ao serviço da equipa nacional terminou.

Uma maior concentração no Santos, partilhada com torneios de póquer e a Kings League, talvez seja o trajecto ideal para reconquistar a autoestima e silenciar os detractors.