Nuno Catarino do Benfica vice-presidente: Operação demonstra solidez financeira

Nuno Catarino do Benfica vice-presidente: Operação demonstra solidez financeira

"Isso demonstra uma sólida posição financeira. Contamos com equilíbrio e flexibilidade para lidar com o cenário atual", afirmou o executivo na assembleia especial realizada na Euronext Lisboa.

A SAD do Benfica arrecadou 65 milhões de euros, o limite máximo estipulado, após a elevada demanda ter motivado os vermelhos a elevar em 25 milhões de euros o valor da iniciativa, comparado aos 40 milhões inicialmente divulgados, com a procura excedendo em 1,36 vezes o disponível, ultrapassando os 88 milhões de euros.

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"O valor total obtido fazia parte da nossa estratégia. Esta iniciativa não altera a dívida líquida, porém ajusta a administração entre obrigações de curto e médio prazo. Trata-se de uma ação que evidencia a grande confiança depositada", enfatizou Nuno Catarino.

A emissão "Benfica SAD 2026-2031", iniciada em 08 de abril, proporciona rendimentos de 4,65% e prazo de cinco anos.

"O Benfica é um emblema admirado no exterior. Poucos clubes conseguem lançar emissões no mercado de retalho como o fazemos. Existe um apreço pelo nosso trabalho que nem sempre aparece nas reportagens passageiras. Há bastante atenção", destacou.

Ao todo, envolveram-se 4.831 investidores, e aproximadamente metade investiu entre 2.500 e 5.000 euros.

"Este produto é vantajoso. No âmbito do retalho, figura entre os mais eficientes para angariar fundos. O setor institucional é atrativo, e o acompanhamos de perto. Contudo, as condições no retalho consideramos adequadas", reforçou, adicionando que pela primeira vez o Benfica logra uma taxa de risco inferior a 2%, cerca de 1,8% a 1,9%.

Indagado se este montante servirá para fortalecer o plantel principal de futebol na próxima temporada, sob orientação de José Mourinho, o gestor financeiro esclareceu que o propósito é a "administração da dívida", desvinculado dos desempenhos atléticos.

"O intuito deste financiamento consta no documento informativo. Não se relaciona com eventos do fim da temporada. Nem sequer podemos levantar essa possibilidade. A aquisição e transferência de atletas é rotina. Procederemos em qualquer circunstância. Todos os clubes europeus operam assim. Sempre há planos alternativos. E procederemos da mesma forma quando for o momento", sublinhou.

Nuno Catarino mencionou ainda que a SAD pretende a partir de agora realizar emissões de dívida apenas de dois em dois anos, em vez de anualmente como antes.

"Planejamos lançar operações de dois em dois anos. A seguinte a vencer é em 2027, depois em 2029 e esta em 2031. Proporciona maior equilíbrio. Muitos investidores rotacionam, e esta abordagem oferece mais consistência. Ademais, em 2028 não emitimos, ano da unificação dos direitos televisivos, aliviando assim a tensão", confidenciou.

Relativamente ao tema sensível dos direitos televisivos, o gestor financeiro observou que o Benfica da Luz nutre "diversas inquietações" quanto ao procedimento e defenderá seus direitos como o "principal clube" nacional.

"Por ora, não antecipamos efeitos específicos. Conhecemos o nosso valor, cerca de 57 ME por temporada (acordo assinado em janeiro com a NOS para as duas próximas épocas), superior ao anterior", indicou.

E concluiu: "Existe um decreto-lei que gera alguma pressão. Apoiamos as mudanças essenciais para elevar o valor do futebol português. Nutrimos várias reservas, criticamos múltiplos pontos deste processo e prosseguiremos nessa linha. Cabe-nos a dever de ser o clube maior em Portugal".