Números mostram por que a Argentina vai além de Messi
Se em 2022 o grupo parecia movido pela missão de entregar a taça a um dos maiores jogadores de futebol do mundo em 50 anos, quatro anos depois o cenário é diferente. Campeão mundial, Messi não carrega o peso da dívida histórica. O objetivo agora parece ser permitir que o camisa 10 desfrute de sua última Copa do Mundo.
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Mesmo aos 39 anos, Messi é capaz de decidir partidas praticamente sozinho. Em muitos momentos, transforma o gramado em uma quadra de futsal, recebendo a bola em espaços mínimos, correndo pouco, e encontrando soluções que desafiam a lógica. Os recordes continuam a cair, mas a campanha argentina mostra que a equipe não depende apenas dele.
Entre as oito melhores seleções do Mundial — considerando inclusive os confrontos disputados das quartas de final — a Argentina aparece entre as equipes que mais desarmam na competição. É um reflexo direto de um meio-campo formado por jogadores acostumados a competir em alto nível, com Mac Allister como uma das principais referências.
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A presença de meio-campistas de origem também ajuda a explicar outra característica marcante da Albiceleste. Ter a bola não é apenas uma forma de atacar, mas também de se defender. Guardadas as proporções, a lógica lembra a da Espanha: controlar a posse para limitar o volume ofensivo dos adversários. É uma identidade construída por Scaloni e por uma comissão técnica formada por ex-jogadores que conhecem profundamente a cultura da seleção argentina.
Esse estilo não surgiu por acaso. Ele começou a ser moldado em 2019, após a traumática eliminação para o Brasil na Copa América. A partir dali, a Argentina buscou um futebol mais equilibrado e coletivo. O próprio debate em torno de Messi — durante anos questionado por parte dos torcedores argentinos — ajudou a acelerar a construção de uma equipe menos dependente de seu craque.
Na Copa de 2026, apesar dos gols sofridos contra seleções de menor expressão, como Cabo Verde e Egito, o volume de finalizações permitido segue baixo. O dado reforça a eficiência do sistema defensivo desenhado por Scaloni e sustentado por um meio-campo robusto. A dúvida surge justamente quando a bola consegue atravessar essa barreira: houve desatenção da linha defensiva ou Dibu Martínez poderia ter oferecido respostas melhores em lances mais difíceis?
A pressão sobre os adversários, por mais que o senso comum possa enganar, também está longe de ser frouxa. Entre as seleções ainda vivas no torneio, a Argentina figura entre as que mais incomodam a saída de bola rival. A coincidência — ou problema — é que a líder desse ranking é justamente a Suíça, adversária dos argentinos nas quartas de final.
Por outro lado, há uma limitação evidente. Embora pressione bastante, a equipe não transforma essa pressão em recuperações imediatas de posse com a mesma eficiência dos concorrentes. Entre os oito melhores times da Copa, a Argentina aparece na última colocação em reviravoltas de posse de bola, com apenas 25 recuperações desse tipo.
O dado ajuda a explicar por que Messi continua sendo tão importante. Em uma equipe que nem sempre consegue acelerar as transições após recuperar a bola, a capacidade do camisa 10 de criar algo diferente a partir de uma única ação segue sendo um recurso insubstituível.
Se a Copa de 2022 ficou marcada pela Argentina que jogava para Messi, a de 2026 apresenta uma versão mais madura da Albiceleste. O craque continua sendo o centro gravitacional da equipe, mas os números mostram que existe uma estrutura sólida ao seu redor. E talvez seja justamente essa combinação entre o coletivo de Scaloni e o talento atemporal do camisa 10 que mantenha os argentinos entre os principais candidatos ao título.