Novo ciclo, novas referências: Sporting enfrenta mudança com incógnitas no balneário

Novo ciclo, novas referências: Sporting enfrenta mudança com incógnitas no balneário

A saída do capitão Morten Hjulmand simboliza essa mudança, mas as prováveis despedidas de Trincão e Pedro Gonçalves, aliadas à partida de Morita, deixam Rui Borges com um desafio que, além da reconstrução da equipa, passa por encontrar novas referências para um balneário que perdeu alguns dos seus principais líderes.

Despedidas históricas

No momento em que escrevemos este artigo, as saídas de Trincão e Pedro Gonçalves não estão confirmadas, mas parecem cada vez mais prováveis e simbolizam a profunda renovação do Sporting.

O esquerdino, que deverá rumar ao Al Ahli, foi a grande referência desportiva dos leões nas últimas épocas e uma das figuras que melhor simbolizou o sucesso recente do clube. Já Pedro Gonçalves, que também deverá rumar à Arábia Saudita, poderá despedir-se como um dos principais rostos da recuperação competitiva do Sporting sob a liderança de Frederico Varandas.

Muito para além dos números e títulos, que fazem de ambos os jogadores mais importantes da história recente do Sporting, Trincão e Pedro Gonçalves deixam um vazio difícil de preencher em Alvalade.

A perda de Hjulmand (40 milhões de euros) também pesa sobretudo por isso. O dinamarquês não era apenas o capitão de equipa, mas uma das vozes mais influentes do balneário. A sua saída obriga o Sporting a encontrar um novo líder, e esse processo raramente se resolve apenas com uma contratação.

Quem assume as rédeas?

A nova temporada marca também um ponto importante para o clube: este já não é o Sporting de Ruben Amorim, é o Sporting de Rui Borges.

As figuras que, com o atual treinador do AC Milan, conduziram os leões nos seus anos de maior sucesso neste século deixaram o plantel e resta muito pouco da era do anterior técnico.

Com as mais recentes saídas, Nuno Santos é o único jogador do atual plantel que iniciou essa era e apresenta-se como principal figura do balneário nesta altura. No entanto, as lesões, que o levaram a realizar apenas 18 jogos na equipa principal em duas épocas, afastam o esquerdino da influência dentro das quatro linhas.

Rui Borges conta com um plantel com uma média de idades de 23,4 na pré-época. É certo que a chamada de jovens da formação influencia este número, mas o rejuvenescimento da equipa é claro e, também por isso, procuram-se referências na equipa.

O conhecimento do clube, a paixão pelo Sporting e toda a trajetória de carreira podiam levar Daniel Bragança a liderar esta nova era em Alvalade, mas a continuidade do esquerdino é também uma incógnita.

A um ano do fim do contrato e sem acordo para renovar, o médio, atualmente com 27 anos, está numa fase decisiva para definir o seu próximo passo. Rui Borges nunca o considerou indiscutível, apesar do contributo do esquerdino após a lesão - seis golos em 14 jogos da Liga.

Caso o médio também deixe Alvalade, Rui Borges terá de olhar para outras figuras e procurar uma nova liderança em Alvalade.

Olhando para o fator da idade, Rui Silva, com 32 anos, é um candidato a assumir a braçadeira, mas o facto de ser guarda-redes leva muitas vezes os treinadores a tomar outras decisões.

Num perfil diferente, Gonçalo Inácio (24 anos) pode ter de assumir-se como líder, depois de também ter envergado a braçadeira na época passada. Ainda na defesa, a maturidade de Eduardo Quaresma (24 anos) revelou-se em momentos decisivos dos últimos anos, mas, tal como Bragança, também ele não é um indiscutível para Rui Borges.

Por fim, sobram jogadores que, à semelhança de Hjulmand, vieram de fora, mas já sabem bem o que é o Sporting e têm mostrado, ao longo dos últimos anos, potencial para liderar o plantel verde e branco.

A intensidade de Maxi Araújo (26 anos) pode ser valorizada pelos adeptos leoninos, mas o perfil de Fresneda (21 anos) também deve ser considerado. O espanhol marcou desde muito cedo a era Rui Borges no Sporting e acabou por convencer em Alvalade, não só pelos atributos futebolísticos, mas pela postura dentro e fora das quatro linhas.

Ioannidis (26 anos), que foi capitão do Panathinaikos, também seria um nome a considerar, não fossem as lesões que o tornaram peça secundária na época passada, enquanto Suárez (28 anos) parece mais capaz de liderar o ataque leonino do que propriamente o coletivo.

Independentemente de quem venha a assumir a braçadeira, o maior desafio do Sporting em 2026/27 poderá nem passar pela construção de uma nova equipa. Esse processo começou há já alguns meses. Mais difícil será reconstruir a hierarquia de um balneário que perdeu, num só verão, algumas das suas principais referências. E isso, à partida, não se compra no mercado de transferências.