Nova Entidade Internacional de Jogadores de Futebol Aspira a Tornar-se o Sindicato Principal

Nova Entidade Internacional de Jogadores de Futebol Aspira a Tornar-se o Sindicato Principal

A AIF visa posicionar-se como um novo mediador junto das federações nacionais, regionais e globais de futebol, além e para lá da Federação Internacional dos Jogadores de Futebol, conhecida como FIFPro.

"Se existe já um sindicato, isso significa que há lugar para mais um. É assim na democracia. Quando discordamos de certas orientações, esforçamo-nos por criar novas", declarou Rinaldo José Martorelli, presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, SAPESP, e agora vice-presidente da AIF, durante a conferência de imprensa de lançamento da nova organização, realizada em Madrid.

Além do SAPESP, fazem parte da AIF a Associação de Futebolistas Espanhóis, AFE, a Associação Mexicana de Futebolistas, AMFPRO, e a Associação Suíça de Jogadores de Futebol, SAFP, na sigla em inglês.

O presidente da AFE, David Aganzo, assume a presidência da AIF, com os líderes das outras três entidades como vice-presidentes.

"Existem sindicatos importantes ansiosos por aderir" à AIF, indicou David Aganzo, sem fornecer pormenores sobre quais outras organizações, de que países ou continentes, poderão juntar-se à nova associação.

As prioridades da nova entidade incluem os direitos e as condições das jogadoras de futebol feminino, as condições de trabalho dos futebolistas em todo o mundo e a saúde mental, com ênfase na preparação para o fim das carreiras, conforme explicaram hoje os responsáveis da AIF.

"Há nações que participarão no Mundial de 2026 sem terem futebol profissional. Se não são profissionais, os jogadores não dispõem de direitos. Essa é uma questão que nos inquieta, garantir a todos os benefícios da regulação laboral", enfatizou Rinaldo José Martorelli.

O representante da associação brasileira destacou que "muitos futebolistas por todo o mundo ainda não recebem (salário)", possivelmente a maioria, apesar da "ideia equivocada" que prevalece a nível global sobre o futebol.

Um dos objectivos específicos da AIF é recuperar o fundo de garantia da FIFA, criado para apoiar futebolistas que não recebem salários devido a problemas financeiros dos seus clubes ou seleções.

Por enquanto, a AIF participará no próximo congresso da FIFA, a 30 de abril, em Vancouver, Canadá, onde se reunirá com o presidente da federação mundial de futebol, Gianni Infantino.

A AIF planeia também "remeter cartas a todas as confederações e ligas" para se apresentar, bem como a outras entidades de cariz político, como a União Europeia, conforme afirmou David Aganzo.

"Procuraremos parcerias e soluções para os desafios", disse o líder da associação espanhola, que evitou comentar um comunicado da FIFPro divulgado esta quinta-feira de manhã, com críticas à fundação da AIF.

A FIFPro, que congrega 70 associações nacionais representando mais de 60 mil futebolistas, afirmou no comunicado que a AIF "não possui legitimidade essencial" para representar os jogadores a nível mundial.

A AIF surge por "razões pessoais e não por um mandato dos jogadores de todo o mundo", argumentou a FIFPro no mesmo texto, recordando que David Aganzo saiu da federação internacional em fevereiro, após deixar a presidência da organização em 2024.

"Não pretendemos confrontos. Há muito por fazer e este sindicato surge hoje com toda a energia do mundo. Somos uma entidade independente desde o início", concluiu.