'Não somos o Flamengo ideal': os motivos de mais uma derrocada rubro-negra

'Não somos o Flamengo ideal': os motivos de mais uma derrocada rubro-negra

"Não somos o Flamengo que desejamos ser. Cada um de nós precisa evoluir, todos temos de melhorar", afirmou o número 10 rubro-negro, o uruguaio Giorgian de Arrascaeta, ao tentar assimilar a desilusão da derrota na Recopa Sul-Americana frente ao Lanús no Maracanã, na quinta-feira (26).

Este tropeço intensificou o arranque fraco da época no melhor plantel da América, em oposição ao glorioso 2025, que acabou com as conquistas da Taça Libertadores e do Campeonato Brasileiro.

A equipa já tinha falhado na Supercopa do Brasil, logo em fevereiro, ao ser batida pelo Corinthians.

A seguir, questões e respostas sobre a crise da formação de Filipe Luís.

O que se passa com o Flamengo?

Muita intensidade ofensiva, mas escassa penetração. É esta a síntese da má fase do Flamengo.

A Recopa diante do Lanús exemplificou isso mesmo.

Malgrado o controlo do jogo, a equipa enfrentou problemas para gerar lances de golo. Teve 65% de posse de bola no primeiro encontro, perdido por 1 a 0. Esse valor aumentou para 77% no regresso ao Rio, mas o resultado final foi outra derrota: 3 a 2 no prolongamento.

"A minha equipa reflete a minha identidade. No positivo e no negativo", observou Filipe Luís em conferência de imprensa, defendendo a sua filosofia de jogo agora sob fogo das críticas, após os elogios iniciais.

"Penso que fizemos um encontro sólido. Cometemos um lapso que nos custou um golo, o opositor mal passou do meio-campo. Assim foi até perto do fim do prolongamento", analisou o técnico. "A equipa foi dominante. Como não vencemos, estas palavras soam vazias".

Onde está o finalizador?

O Flamengo estabeleceu um recorde na América do Sul ao desembolsar 42 milhões de euros (R$ 255 milhões) pelo médio Lucas Paquetá, mas ainda urge encontrar no mercado um ponta-de-lança.

A primeira escolha da direção recaiu em Kaio Jorge, melhor marcador do Brasileirão em 2025, que acabou por prolongar o vínculo com o Cruzeiro.

Nem Pedro nem Bruno Henrique, ícones da torcida e figuras centrais nas vitórias recentes do emblema, atravessam um período positivo.

Filipe Luís alinhou Éverton Cebolinha como homem-golo no primeiro jogo contra o Lanús e o equatoriano Gonzalo Plata no segundo.

E a retaguarda?

Um dos trunfos do Flamengo em 2025 foi a defesa, com a parceria Léo Ortiz e Léo Pereira, o polivalente e experiente Danilo como central e os laterais Varela e Alex Sandro, que chegou a ser considerado pelo selecionador do Brasil, Carlo Ancelotti, para o Mundial.

Atualmente, estão bem distantes desse patamar. E a insegurança propagou-se.

Ayrton Lucas, titular na lateral esquerda no segundo jogo contra o Lanús, falhou um passe para o guardião Rossi e Rodrigo Castillo capitalizou para facturar, complicando ainda mais a posição do Flamengo no duelo.

"Do exterior, vê-se todos os espaços. No momento da ação, é tudo muito veloz (...) Foi um erro sobretudo meu. Um erro que dói profundamente", confessou Ayrton Lucas.

O que afirmam os futebolistas?

"Queríamos realizar um grande jogo e erguer mais um troféu neste estádio tão emblemático, o Maracanã. Infelizmente, não foi possível", lamentou De Arrascaeta.

"Não é altura de discursar, é hora de inclinar a cabeça e laborar", complementou o número 10.

A autoanálise dominou o grupo.

"Houve aspeto físico, técnico e de rendimento... Que cada um reconheça a sua quota de culpa", declarou Danilo após a perda do cetro.