Mundial de 2026: IFAB autoriza cartão vermelho a atletas que cubram a boca
A entidade que gere as mudanças nas regras do desporto, convocada de forma especial em Vancouver, Canadá, aprovou igualmente de forma unânime a opção de expulsar de imediato futebolistas que saiam do campo em sinal de protesto contra escolhas dos árbitros ou quando técnicos os incentivem a isso.
“Cabe à organização do torneio decidir se um atleta que tape a boca ao confrontar um rival pode ser castigado com cartão vermelho”, revelou o regulador do futebol no seu site oficial na rede.
A medida do IFAB surge quatro dias após o avançado argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, ter sido banido por seis partidas pela UEFA, com três delas em suspensão condicional, por causa de ofensas homofóbicas no jogo frente ao Real Madrid na Liga dos Campeões.
Em 17 de fevereiro, no primeiro jogo do playoff para os oitavos da Champions, ganho pelo Real Madrid por 1-0, o atacante brasileiro Vinícius Júnior, logo após o golo solitário, aproximou se do juiz e denunciou que Prestianni lhe havia lançado insultos racistas.
O árbitro francês François Letexier parou o jogo no Estádio da Luz, Lisboa, e ativou o procedimento contra o racismo, recomeçando a partida cerca de 10 minutos mais tarde.
Depois do encontro, Prestianni recusou qualquer insulto racista a Vinícius Júnior, ao passo que o craque brasileiro e colegas dos merengues corroboraram a acusação contra o argentino.
A UEFA impôs a Prestianni uma suspensão provisória de um jogo durante a investigação e, apesar de não poder atuar, o sul americano viajou com o grupo para Madrid, onde o Benfica perdeu por 2-1 e ficou fora da Liga dos Campeões.
As duas sugestões de modificação vieram da FIFA, após “consultas a todos os envolvidos chave” no futebol global, com o objetivo de “enfrentar atitudes discriminatórias e inadequadas”, tal como ocorreu na final da Taça das Nações Africanas, quando o Senegal deixou o gramado em reação a um penalti marcado pelo juiz.
O Senegal, que venceu por 1-0 o Marrocos, país organizador, após tempo extra, foi multado com uma derrota por 3-0 pela Confederação Africana de Futebol (CAF), que entregou o troféu aos norte africanos.
A punição da CAF baseou se no episódio em que, nos acréscimos do tempo normal da partida de 18 de janeiro, os jogadores senegaleses saíram do campo e foram para os vestuários, regressando depois, em protesto contra o penalti a favor de Marrocos.
Em Rabat, Brahim Díaz procurou fechar o jogo com um penálti à Panenka, mas cedeu a bola ao goleiro senegalês, e no prolongamento Pape Gueye fez o golo decisivo, permitindo ao Senegal um feito invulgar em 35 edições, ao bater o anfitrião na final.
As novas regras validadas pelo IFAB serão “transmitidas nas próximas semanas” às 48 equipas no Mundial de 2026, de 11 de junho a 19 de julho no Canadá, Estados Unidos e México, incluindo a seleção portuguesa.