Mundial-2026: Pierluigi Collina, chefe da arbitragem da FIFA, defende árbitro do Argentina-Egito
Recorde as incidências da partida
Numa entrevista publicada na inside.fifa.com esta quinta-feira, Collina afirmou que as críticas aos árbitros fazem parte do futebol, mas condenou o questionamento da integridade dos oficiais depois de o Egito ter apresentado queixas sobre a arbitragem após a derrota.
"A discussão construtiva sobre decisões fará sempre parte do futebol, mas acusações infundadas não têm lugar no nosso desporto", afirmou Collina.
"Ninguém pode questionar a integridade dos árbitros do Mundial ... Ninguém pode afirmar que a arbitragem da FIFA pode ser influenciada por alguém, nem sequer pelo presidente da FIFA (Gianni Infantino)", acrescentou.
Collina referiu que tais alegações podem provocar ameaças contra os árbitros e as suas famílias.
O Egito foi eliminado do torneio, mas alegou ter sido tratado de forma injusta depois de a Argentina ter recuperado de uma desvantagem de 0-2 para garantir a vitória com um golo nos descontos de Enzo Fernández.
O treinador Hossam Hassan alegou, após o jogo, que poderá ter havido pressão sobre o árbitro para manter a Argentina no torneio. E a Federação Egípcia de Futebol afirmou que "vários lances cruciais suscitaram sérias preocupações e deixaram profundas dúvidas sobre a consistência e justiça das decisões que influenciaram diretamente o desenrolar do jogo."
O Egito defendeu que o remate de Mostafa Zico na segunda parte foi anulado de forma incorreta por uma falta que considerou inexistente na fase de construção. Os egípcios ficaram ainda indignados por uma falta sobre Mohamed Salah não ter sido assinalada momentos antes de a Argentina iniciar a jogada que resultou no golo da vitória.
Collina afirmou que o VAR recomendou corretamente a anulação do golo de Zico após identificar uma falta de Marwan Attia sobre o defesa argentino Lisandro Martinez durante a fase de posse atacante.
"Acreditamos que falta é falta", disse Collina: "Independentemente de a falta parecer 'evidente', se o árbitro não a viu no relvado, o VAR pode intervir."
Collina defendeu também a decisão de não assinalar penálti a favor do Egito antes do golo da Argentina, afirmando que tanto o árbitro como o VAR consideraram o contacto entre Salah e Julian Alvarez como "contacto normal de futebol".
"Pisar o pé de um adversário é falta, enquanto um defesa que toca primeiro na bola e depois tem um contacto normal de futebol não cometeu falta", afirmou.
Reconhecendo que algumas decisões terão sempre um elemento de subjetividade, Collina disse que a FIFA está satisfeita com a forma como os princípios do VAR foram aplicados ao longo do torneio.