Mundial-2026: O anti-herói Ouahbi que faz sonhar Marrocos

Mundial-2026: O anti-herói Ouahbi que faz sonhar Marrocos

Siga o França - Marrocos com o Flashscore

Há alguns anos, um professor disse a um estudante do primeiro ano do curso para se tornar professor de educação física que não tinha o perfil para seguir essa carreira. Esse estudante era Mohamed Ouahbi, que quinta-feira vai orientar a Marrocos frente à França no primeiro quarto de final dos Mundiais.

Foi o próprio Ouahbi, que completa 50 anos em setembro, quem contou este episódio numa entrevista à revista francesa Onze Mondial.

"O que mais me ajudou foi quando comecei os estudos para ser professor de educação física. Aí aprendi imensas coisas. Nessa altura, também recorri ao futebol para progredir nos estudos", disse: "Falava disso recentemente com a minha equipa técnica. Muitos dizem: 'ou tens um dom ou não tens', ou então 'ou nasceste para isto ou não'. No entanto, lembro-me perfeitamente do meu primeiro ano de estudos: um professor disse-me que, na opinião dele, eu não tinha perfil para ensinar, para dar aulas, para transmitir".

O anti-herói

Nascido na Bélgica mas de origem marroquina, o selecionador dos Leões do Atlas tem um percurso atípico para quem chega aos quartos de final de um Mundial como treinador.

Sempre trabalhou nos escalões de formação, durante muitos anos no Anderlecht antes de chegar a Marrocos Sub-20 (com quem venceu o Mundial no ano passado) e Sub-23. O seu trajeto com a seleção principal começou há apenas quatro meses, logo após a saída de Walid Regragui. O culminar de um caminho iniciado num pequeno clube amador, o Maccabi Brussels.

"Não vou dizer que sonhava com isto ou que pensava nisto constantemente. Sempre fui uma pessoa muito com os pés assentes na terra - conta Ouahbi: "Este cargo surgiu naturalmente. Trabalha-se muito, faz-se tudo bem feito. E como dizemos entre nós: 'Deus dá, Deus tira'. É uma forma de recompensa por todo o trabalho realizado desde o início. Encaro isto sem stress. São responsabilidades que me dão muita energia e confiança. Não tenho necessariamente confiança em mim próprio, mas confio no meu trabalho: naquilo que faço e na forma como o faço".

Um anti-herói, de certa forma, em clara oposição à figura do homem isolado no comando: "Tento sempre envolver todos no projeto. Nunca me expresso na primeira pessoa: uso sempre o 'nós'. Quando falo na primeira pessoa, sinto que me afasto desta lógica coletiva. Uma equipa técnica acima de tudo. Quem pensa que consegue sozinho não vai conseguir... pelo menos não durante muito tempo nem da forma correta".