Mundial-2026: Matías Galarza, o herói inesperado do Paraguai
Acompanhe as incidências do encontro
Matías Galarza não pediu licença: entrou na cabeça dos alemães e não saiu de lá. Assistiu Julio Enciso, recuperou também 10 bolas, conseguiu 2 interceções e fez um túnel a Jamal Musiala num jogo em que a Albirroja defendeu muito... e acabou por tirar a Mannschaft do sério.
Galarza cumpriu a sua missão, mesmo cometendo quatro faltas. Soube agarrar, protestar e quebrar o ritmo: mostrou todo o repertório do jogador matreiro, aquele que todos detestam quando está do outro lado, mas que qualquer um gostaria de ter na sua equipa quando o jogo aquece.
Em apuros no clube, solto na seleção
A sua história não estava escrita de antemão. Para o médio formado no Olimpia, este Mundial representa uma espécie de redenção, sobretudo em relação ao River. Nomeado em março, Chacho Coudet já tinha deixado claro que não contava com ele. E como não atingiu 75% de titularidades no Atlanta, Galarza tem de regressar aos Millonarios sem esperança de jogar.
Nada fazia prever que Galarza se tornaria o "Modric paraguaio", como já lhe chamam no seu país. Chegou ao Vasco com 18 anos, foi emprestado ao Coritiba em 2022 antes de explodir no Talleres. Vice-campeão em 2024, campeão da Supertaça Internacional: dois anos depois de chegar ao Talleres, foi transferido para as Gallinas mas não conseguiu convencer. A sua saída foi polémica: após uma derrota frente ao Vélez, respondeu às provocações com gestos provocatórios. Muitas vezes rotulado de jogador irregular, Galarza cometeu um erro frente ao Racing quando Marcelo Gallardo ainda era o treinador.
A sua passagem pela MLS também não foi mais bem-sucedida e, embora tenha integrado a lista do Paraguai para o Mundial, o selecionador Gustavo Alfaro deixou-o no banco frente aos Estados Unidos. O resultado: derrota por 4-1. Obrigado a vencer a Turquia, o técnico apostou em Galarza de início, embora não tenha sido uma decisão fácil. "Apoiem os jogadores e, se tiverem de criticar alguém, critiquem-me a mim. Tenho a pele dura. Atirem-me dardos, disparem contra mim, mas defendam os jogadores", desabafou Alfaro, que não teve razões para se arrepender. Pelo contrário, Galarza mudou tudo. Foi ele quem marcou o único golo do jogo aos 2 minutos e levou a sua seleção aos 16 avos de final. No desempate por penáltis frente à Alemanha, coroou a sua exibição ao converter o seu remate.
Está longe da imagem de um jogador com problemas mentais, praticamente descartado segundo os seus críticos. Pelo contrário, com 24 anos, Galarza é uma das revelações do Mundial e um homem-chave para Alfaro, que surgiu praticamente do nada. Os Bleus estão avisados: este jogador regressou de demasiado longe para deixar escapar esta desforra de 1998.