Mundial-2026: Malvinas denunciam mensagens políticas da Argentina e pedem ação da FIFA
“A política não tem lugar no desporto – pedimos à FIFA que aplique as suas próprias regras de forma consistente”, indicam os representantes das Ilhas Malvinas na missiva, enviada na sequência do jogo Inglaterra-Argentina e publicada no Facebook.
O arquipélago britânico ultramarino critica a exibição de uma faixa com a frase “Las Malvinas Son Argentinas” (“As Malvinas São Argentinas”, em português), apresentada pelos jogadores após a vitória, na quarta-feira, recordando ainda vídeos divulgados depois do encontro Argentina-Egito, nos quais “a seleção argentina entoou cânticos sobre as Malvinas nos balneários”.
“Estamos desapontados, embora infelizmente não surpreendidos, com esta conduta, dado que este não é o primeiro incidente do género: a Associação Argentina de Futebol foi multada em 20.000 libras (23,5 mil euros, ao câmbio atual) pela FIFA em 2014 por conduta semelhante”, salienta.
As Malvinas pedem à FIFA que aplique “de forma consistente” os seus próprios regulamentos, lembrando que os Estatutos e o Código Disciplinar proíbem expressamente mensagens políticas, religiosas ou pessoais em jogos e instalações oficiais.
A carta destaca ainda que as Ilhas Malvinas são um território ultramarino britânico “autónomo e autofinanciado”, com atuação internacional em áreas como desporto, ciência e ajuda humanitária.
O governo malvinense recorda o referendo de 2013, no qual 99,8% dos habitantes escolheram manter o estatuto atual, numa participação de cerca de 92%, monitorizada por observadores internacionais.
“As ilhas Malvinas foram invadidas pela Argentina em 1982, resultando numa ocupação hostil de 74 dias. Os acontecimentos desta guerra traumatizaram os habitantes das Ilhas Malvinas, fazendo com que atos políticos como os que ocorreram após o jogo sejam particularmente insensíveis para o povo das Malvinas. A FIFA deve ter este contexto em consideração ao tomar a sua decisão”, lembra.
As Malvinas acrescentam que apoiam as declarações do ministro da Economia e Comércio do Reino Unido, Peter Kyle, que classificou o comportamento dos jogadores argentinos como “completamente inadequado” e exortou o organismo máximo que tutela o futebol mundial a conduzir “uma investigação completa”.
Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, indicou que o chefe de governo apoia os pedidos para a abertura de uma investigação à seleção da Argentina.
“O Mundial pode não ser nosso, mas as Falklands são-no certamente. A nossa posição permanece inalterada. A autodeterminação pertence aos ilhéus, e o nosso compromisso com as Falklands nunca vacilará”, comentou o porta-voz, usando a designação britânica para o arquipélago.
O arquipélago é designado Malvinas pela Argentina e Falklands pelo Reino Unido.