Mundial-2026: Joaquim Evangelista sugere "iniciar novo ciclo" na seleção

Mundial-2026: Joaquim Evangelista sugere "iniciar novo ciclo" na seleção

Acho que é a decisão que importa, quem vai ser o treinador, para iniciar um novo ciclo com tranquilidade, dando-lhe todas as condições para fazer as escolhas que entender e depois avaliá-lo pelos resultados. Gosto muito de Jorge Jesus – é um homem simples, prático, põe as equipas a jogar e tem o seu feitio”, indicou o dirigente, à margem da apresentação do 24.º Estágio do Jogador, que hoje arrancou na Academia do Jogador, em Oeiras.

Joaquim Evangelista considerou que o naipe de escolha da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para a sucessão de Roberto Martínez, que esta segunda-feira anunciou ter cumprido o último jogo enquanto selecionador de Portugal após a derrota com a Espanha (1-0), relativa aos oitavos de final do Mundial-2026, é rico e, entre os nomes possíveis, o presidente do Sindicato dos Jogadores aponta Jorge Jesus como “boa solução”.

Há outros grandes treinadores, falava-se de Abel Ferreira, Sérgio Conceição, entre outros. São treinadores que, de facto, se afirmaram em Portugal e no mundo, mas o Jorge Jesus tem de facto essa aura neste momento - mais velho, mais experiência, e acho que pode ser uma boa solução”, avaliou.

O responsável pelo sindicato dos futebolistas profissionais em Portugal assumiu a sua posição de a equipa das Quinas voltar a ser liderada por um treinador de nacionalidade portuguesa.

Como princípio, defendo que seja um treinador português em determinadas circunstâncias, quando o ruído, o ambiente não beneficia os protagonistas e com isto falo para os jogadores, treinadores e dirigentes. Hoje, o planeta é uma casa comum, temos jogadores e treinadores portugueses a atuar e a fazer a diferença no estrangeiro”, recordou ainda.

A mudança no comando técnico de Portugal terá lugar após a sua participação no campeonato do mundo, que se concluiu com uma derrota frente a Espanha, nos oitavos de final e no qual Joaquim Evangelista identificou um natural desgaste nos atletas.

Este é, sobretudo, um campeonato disputado no final de uma época desportiva. Os nossos jogadores, por exemplo os que foram campeões europeus pelo PSG, estiveram a jogar até ao limite e os jogadores, como já disse, não são máquinas”, defendeu o dirigente.

Joaquim Evangelista não considerou, ainda assim, que o facto de a larga maioria dos internacionais portugueses atuar fora do país ao nível dos clubes represente uma desvantagem no entrosamento e ideia de jogo coletiva.

Acho que o facto de os nossos jogadores jogarem no estrangeiro acrescenta mais ao futebol português do que o diminui. Obviamente que depois há pontos de contacto e pode trazer esse problema, mas temos de ter a capacidade de olhar para o todo e conseguir ajustar todos os pormenores que decorrem dessa questão e fazê-la funcionar”, analisou o responsável máximo pelo SJPF.

Por fim, Joaquim Evangelista lamentou o episódio relacionado com a decisão da FIFA em suspender o castigo aplicado a Folarin Balogun, avançado dos Estados Unidos que havia sido expulso frente à Bósnia-Herzegovina, nos 16 avos de final, e foi permitido jogar frente à Bélgica, nos oitavos, considerando que Gianni Infantino, presidente da FIFA, não geriu a situação da melhor forma.

Eu percebo. Não é fácil lidar com aquele presidente dos Estados Unidos, mas acho que o Gianni Infantino, em determinadas alturas, foi demasiado subserviente e o desporto devia ter superioridade relativamente à política. Acho que ainda estamos a tempo e que está a ser um grande Mundial, apesar de tudo”, transmitiu o dirigente.