Mundial 2026: Curaçau bate recorde com 25 jogadores estrangeiros no plantel
Acompanhe a estreia de Curaçau no Campeonato do Mundo com o Flashscore
Reconhecido pela FIFA como herdeiro direto das Antilhas Holandesas, extintas em 2010, este arquipélago das Caraíbas é um dos quatro estreantes na maior competição de seleções e chega à fase final com 25 naturais dos Países Baixos, país do qual dista quase 7.900 quilómetros, mas ao qual pertence, devido a laços que remontam a quatro séculos.
Eloy Room e Leandro Bacuna, os mais internacionalizados, com 71 jogos cada, ilustram essa realidade de um Estado com a menor população (cerca de 160 mil habitantes) e área (aproximadamente 450 quilómetros quadrados) de sempre a participar num Mundial, bem como Riechedly Bazoer, Jeremy Antonisse e Kenji Gorré, que passaram por clubes portugueses.
A exceção é Tahith Chong, nascido na capital Willemstad, embora sem experiência sénior em clubes de Curaçau, como os restantes convocados pelo regressado holandês Dick Advocaat, de 78 anos, que se tornará o treinador mais velho de sempre num Mundial, depois de ter orientado um estágio dos caribenhos nos Países Baixos.
Chong jogou nas seleções jovens holandesas, mas pediu a mudança de filiação para Curaçau e obteve autorização da FIFA em 2025, caso semelhante ao de Shurandy Sambo, Armando Obispo, Bazoer e Sontje Hansen, segundo a plataforma de transferências de federações do organismo regulador do futebol mundial.
Outra seleção muito dependente da diáspora é a República Democrática do Congo, adversária de Portugal na estreia do Grupo K, com 20 jogadores nascidos fora do país, 11 dos quais em França, de onde vêm Lionel Mpasi, Arthur Masuaku, Cédric Bakambu ou Yoane Wissa.
Matthieu Epolo, da Bélgica, e Aaron Wan Bissaka, nascido em Inglaterra, mudaram de filiação em 2025, medida seguida em maio por CJ dos Santos, dos Estados Unidos, agora elegível para Cabo Verde. Os lusófonos convocaram 14 atletas da diáspora para a estreia no Mundial, seis dos quais nasceram nos Países Baixos, três em França, um nos Estados Unidos, um na Irlanda, e mais três com origem portuguesa como Wagner Pina, Hélio Varela e Telmo Arcanjo, do Vitória de Guimarães.
O campeão africano Marrocos tem o maior contingente estrangeiro, com 19, destacando se o capitão Achraf Hakimi e Brahim Díaz.
A Bósnia Herzegovina soma 16, incluindo Amar Dedić, austríaco de nascimento e vinculado ao Benfica, número repetido pela Argélia e pelo Haiti, com 13 e 12 jogadores originários de França, respetivamente, sendo os capitães Riyad Mahrez e Johny Placide os casos mais emblemáticos.
A diáspora também preenche mais de metade das listas da Tunísia, com 15 naturalizados, e do Qatar, que junta 14, entre os quais Pedro Correia, português de nascimento e autor do golo que qualificou os bicampeões asiáticos.
Segue se o Senegal, com o capitão Kalidou Koulibaly entre os 12 recrutados, contra os 11 da Croácia, onde Mateo Kovacić decidiu jogar.
O capitão Hakan Çalhanoglu, Kenan Yildiz e Deniz Gül, sueco de origem e atualmente no FC Porto, contribuem para a dezena de atletas turcos vindos do estrangeiro, seguindo se a Costa do Marfim, com Seko Fofana, francês e emprestado aos ‘dragões’ na segunda metade de 2024/25, e o Iraque, cada um com nove.
Com oito ficaram Austrália, Nova Zelândia, Canadá, com Alphonso Davies e Jonathan David, e Gana, orientado pelo português Carlos Queiroz e com Antoine Semenyo e Jordan Ayew nas opções.
Scott McTominay destaca se entre os sete da Escócia, acima dos seis dos Estados Unidos e dos cinco do México e do Paraguai, numa prova que pela primeira vez inclui 48 seleções e totaliza 293 naturalizados num universo de 1.248 convocados 38 viram a mudança de filiação aprovada desde 2025.
A França apresenta três, nomeadamente Brice Samba, Michael Olise e Marcus Thuram, mais um do que Equador, Jordânia e Suíça.
Portugal conta com Diogo Costa e Matheus Nunes, naturais da Suíça e do Brasil, mas poderia ter mais, não fosse Éli Junior Kroupi, internacional pelas seleções jovens francesas e com ascendência portuguesa e costa marfinense, ter recusado em março o convite do selecionador espanhol Roberto Martínez.
O mesmo acontece com a campeã mundial e bicampeã sul americana Argentina, com Nico Paz e Giuliano Simeone, o Irão, a Noruega, com Erling Haaland, melhor marcador da fase de qualificação, e o Uruguai, com Fernando Muslera e Rodrigo Zalazar, recentemente contratado pelo Sporting ao SC Braga.
A campeã europeia Espanha, com Aymeric Laporte, Inglaterra, com Marc Guéhi, Alemanha, que chamou Waldemar Anton, Países Baixos, com Guus Til, Bélgica, com Amadou Onana, Coreia do Sul, Egito e Japão mostram exemplos únicos, a par do Uzbequistão, adversário de Portugal na primeira fase e com Utkir Yusupov originário do Cazaquistão.
Brasil, Colômbia, outro oponente de Portugal, Áustria, África do Sul, Arábia Saudita, Panamá, República Checa e Suécia são formados exclusivamente por nativos, embora os brasileiros tenham alterado a filiação de Douglas Santos, tal como a Bélgica fez com Diego Moreira, antigo internacional jovem português.
Em 2021, a FIFA flexibilizou o sistema de elegibilidade e permitiu que jogadores que já tinham representado uma seleção nacional mudassem de filiação, desde que cumprissem determinados critérios.
Essa reforma reconheceu a crescente realidade multicultural do futebol e fará, por exemplo, com que os irmãos Nico Williams e Iñaki Williams ou Désiré Doué e Guela Doué representem países diferentes na 23.ª edição do Campeonato do Mundo, que decorre de 11 de junho a 19 de julho, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.