Mundial-2026: Com a Argentina, Messi regressa a Miami, cidade que já conquistou
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Mas é mesmo o caso: o génio de Rosário continua a aumentar a sua lenda e já soma seis golos. E, como verdadeiro líder, conduz a Argentina para estes oitavos de final frente a Cabo Verde na sexta-feira, em Miami. Na Florida, em Fort Lauderdale, onde vive com a sua mulher e os seus três filhos, Messi sente-se muito bem.
Depois de duas épocas complicadas no PSG, a sua chegada ao Inter Miami podia dar a entender que estava a preparar a pré-reforma. Com 36 anos, acabara de conquistar no Catar o Mundial que lhe faltava, e a MLS, menos exigente, parecia uma boa forma de encerrar uma carreira histórica.
No entanto, Messi tinha outros planos. O seu futebol revolucionou o clube, que nunca tinha conquistado qualquer troféu antes da sua chegada. Na sua primeira época, com a ajuda dos seus antigos companheiros do Barça, Sergio Busquets e Jordi Alba, levou-o à conquista da Leagues Cup. E em 2025, foi decisivo para o primeiro título de MLS da sua equipa.
A sua influência vai muito além do relvado, explica à AFP Juan Pugin, treinador na Academia de Futebol Revo Soccer em Doral, perto de Miami.
"Messi marcou um antes e um depois no que significa o futebol aqui. A partir de 2023, todos passaram a ser adeptos do Inter", afirma, observando que "isso nota-se também muito na academia. Muito mais rapazes inscreveram-se para praticar este desporto".
"Emoção"
O rosto do número 10 nos murais de Little Havana e do bairro de Wynwood mostra como o melhor marcador da história do Mundial conquistou uma cidade mais habituada a apoiar os Dolphins na NFL ou o Miami Heat na NBA. Depois da experiência em Paris, Messi encontrou no sul da Florida um local onde pode desfrutar da família e viver com mais tranquilidade, com uma importante comunidade argentina e onde sete em cada dez habitantes são latinos.
Na terça-feira, numa zona de Miami Beach conhecida como Little Buenos Aires, dezenas de adeptos exibem a camisola da Albiceleste.
Esta paixão faz sorrir Lily Diaz, uma argentina de 69 anos, que passeia com um boné da seleção na cabeça. Nestes dias, sente-se mais próxima do país que deixou há quatro décadas para se instalar na Florida.
"É uma emoção enorme ver o Messi vir jogar com a Argentina. É um orgulho, um exemplo enquanto desportista e enquanto pessoa", acrescenta esta adepta, que já viu a estrela quatro vezes com o Inter Miami.
Perto dali, Johnny Fortes, de 62 anos, viajou desde Buenos Aires para acompanhar a Argentina ao longo do seu percurso no Mundial até uma possível final.
"Sou empregado administrativo, mas durante um ano e meio fui motorista à noite para poder vir aos Estados Unidos", explica: "Sacrifiquei-me, mas valeu a pena."
No Buenos Aires Bakery, um restaurante argentino popular em Miami Beach, a paixão pela seleção é máxima. No interior, Julian Franco saboreia a comida argentina que não encontra em Buffalo, no Estado de Nova Iorque, onde se instalou há três meses vindo da província argentina de Catamarca. Não tem bilhete para sexta-feira, mas fez questão de aproveitar o ambiente de Miami nestes dias.
"Ficamos tão emocionados ao ver o Messi jogar", diz.
"E ainda mais sabendo que também passou por fracassos. Dá-nos a ilusão de que nem tudo está perdido, que é preciso dar sempre um pouco mais para alcançar o que queremos", acrescenta.