Mundial 2026: Coletivo, escolha de figuras e pragmatismo ajudam Brasil
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“Em teoria, devem estar os melhores. Agora, não há espaço numa seleção para jogar a pensar em todos. Falamos principalmente em termos de ataque. É preciso escolher um ou, no máximo, dois jogadores e atuar em torno deles. Os restantes têm de trabalhar como equipa e aí a seleção fica muito forte”, disse à agência Lusa o ex-médio do Benfica, de 62 anos, que realizou 45 jogos e marcou quatro golos pela seleção brasileira, entre 1987 e 1993, e participou nos Mundiais de 1986 e 1990.
O Brasil enfrentará Marrocos e os que regressam Escócia e Haiti no Grupo C do Mundial 2026, cuja 23.ª edição se realiza de quinta-feira até 19 de julho e inclui pela primeira vez 48 seleções, incluindo Portugal, num total de 104 partidas, sob uma organização tripartida inédita entre os Estados Unidos, o México e o Canadá.
“Os jogadores precisam de ter consciência de que é uma competição muito curta e rápida e nem sempre será possível conciliar o espetáculo com o resultado. Eles têm que ser pragmáticos e, no final, o que importa é o resultado. Em 1990, fizemos uma grande exibição contra a Argentina, a melhor desse Mundial. Só que acertámos na trave e no poste e fomos eliminados, enquanto a Argentina chegou à final (ao derrotar o Brasil por 1-0 nos oitavos de final)”, exemplificou.
Recordista de títulos mundiais, com cinco títulos (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), e o único a ter participado em todas as fases finais, o Brasil tem Neymar, melhor marcador (79 golos) e segundo com mais internacionalizações (128 jogos), que disputou os últimos três Mundiais, mas já não era chamado desde 2023.
Neymar, com 34 anos, está a recuperar há três semanas de uma lesão muscular e tem demonstrado irregularidade nas exibições, apesar de Valdo acreditar que o Brasil “ganha muito” com esta solução, desde que o avançado do Santos “tenha condições de brilhar e assim aproximar a seleção do título”.
“Sou um fã incondicional do Neymar. Se estiver bem, é ele mais dez, não só na seleção, mas em qualquer equipa do mundo. É um assunto muito delicado e aí entra a força do treinador (Carlo Ancelotti). O Brasil não tem intervenientes como antigamente e os tempos são outros, mas estes são capazes de ter sucesso se colocarem na cabeça que o que conta é o país e não o talento individual. Os jogadores que vão são teoricamente os melhores nos seus clubes, mas uma seleção não pode ter dez ou quinze estrelas”, observou.
Campeão português ao serviço do Benfica em 1988/89 e 1990/91, Valdo sente que o futebol está “mais físico e sem o brilho” característico do período em que foi chamado para os Mundiais de 1986, sem se estrear pela seleção brasileira, e de 1990, ao ser titular nos quatro jogos disputados.
“O homem que não sonha nem acredita no seu sonho, dificilmente conseguirá alguma coisa. Eu sempre acreditei e posso falar com conhecimento de causa: as maiores emoções que tive foram estar perfilado (no relvado) e ouvir pela primeira vez o hino nacional brasileiro, a servir a minha pátria”, partilhou.
Com passagens pelo Grémio, Cruzeiro, Santos e Botafogo e pelos franceses do Paris Saint-Germain, entre outros clubes brasileiros e estrangeiros, o ex-médio afirma ter atingido o auge da carreira quando jogou no principal torneio internacional de seleções por um país com 150 milhões de habitantes na época, independentemente de as pessoas gostarem ou não do seu futebol.
“Para descrever o que é o Brasil durante um Mundial, tem de ir lá. Tudo o que eu disser é insignificante perante o que acontece no país nessa altura. Quando a seleção joga, não há meio termo. Em qualquer rua, do bairro pobre ao mais luxuoso, só se vê isto: as cores verde e amarela e festa por todo o lado. É uma coisa de loucos. O país para e, quando se aproxima a hora do jogo, é de arrepiar. Quando o Brasil marca um golo, é uma coisa do outro mundo. É mesmo lindo”, finalizou o vencedor da Copa América de 1989.