Mundial-2026: Caso Balogun abala a FIFA, mas o poder de Infantino permanece intacto

Mundial-2026: Caso Balogun abala a FIFA, mas o poder de Infantino permanece intacto

"Gianni Infantino tem de sair", foi a manchete inequívoca do conceituado Telegraph. E de repente surgiu mesmo a questão se um dos maiores escândalos de sempre do Mundial poderia derrubar o homem que sempre fez a crítica escorregar, cimentou o seu poder ao longo dos anos e, não apenas desde a polémica amnistia a Balogun, enfrenta acusações de proximidade duvidosa ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Infantino conseguiu reverter reformas, atribuir as fases finais de 2030 e 2034 através de uma controversa dupla atribuição, alterar o Mundial ao seu gosto, inventar um prémio da paz em nome do futebol para agradar ao seu amigo na Casa Branca. O facto de o avançado norte-americano Folarin Balogun ter podido jogar subitamente nos oitavos de final frente à Bélgica, após um telefonema de Trump ao presidente da FIFA, foi para muitos políticos, especialistas e dirigentes europeus uma verdadeira quebra de tabu.

Infantino e Trump – um pacto diabólico

O comunicado em que a UEFA acusou a FIFA de ter ultrapassado uma "linha vermelha" foi interpretado pelo Guardian como uma "declaração de guerra". As tensões marcam a relação entre Infantino e o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, há anos. Até agora, os europeus não se atreveram a pôr em causa o poder de Infantino. E agora?

O homem da pequena localidade de Brig, no cantão do Valais, governa a federação mundial como um autocrata. Infantino desenvolveu ao longo dos anos um sistema de dinheiro, ganância e megalomania que lhe deu influência e acesso à política mundial – sobretudo à Casa Branca. Quando decorriam investigações nos EUA ao escândalo da FIFA de 2015, Trump e Infantino aproximaram-se.

Leia também - Caso Balogun explicado: entre acusações de "escândalo" e motivos para festejar

Segundo a análise da iniciativa Play the Game, Trump via a FIFA como uma "máquina de propaganda", um "porta-voz perfeito" para o seu "projeto nacionalista". Em troca, a federação mundial pode esperar receitas recorde no Mundial e Infantino conta com vários milhares de milhões que pode distribuir pelas federações para consolidar a sua posição.

Pouca esperança de mudança

O presidente da FIFA foi recentemente um apêndice da comitiva de Trump e, sobretudo devido à atribuição do prémio da paz, foi alvo de uma queixa da organização FairSquare junto da comissão de ética interna. Segundo o código de ética da FIFA, o presidente da federação mundial deveria, na verdade, manter-se "politicamente neutro".

Infantino, que já esteve sob investigação das autoridades suíças, pretende ser reconduzido no cargo no próximo ano e, devido a uma alteração dos estatutos, poderá liderar a FIFA até 2031, mais tempo do que se previa. As confederações da América do Sul, África e Ásia já lhe manifestaram o seu apoio. Isso basta.

Não há, neste momento, qualquer indício de que as federações fora da Europa se afastem de Infantino, na ausência de provas de influência política na decisão da Comissão Disciplinar da FIFA no "caso Balogun". Mesmo que a UEFA decidisse apresentar um candidato alternativo, o desfecho – neste momento – já estaria decidido.

Infantino podia, portanto, ter mostrado um semblante mais simpático na tribuna em Seattle.