Mundial 2026: Augusto Inácio acredita que Portugal e Colômbia lutarão pelo primeiro lugar do Grupo K

Mundial 2026: Augusto Inácio acredita que Portugal e Colômbia lutarão pelo primeiro lugar do Grupo K

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A seleção portuguesa inicia a 23.ª edição do Mundial no dia 17, frente à República Democrática do Congo, em Houston, onde enfrenta também, depois, o estreante Uzbequistão a 23 de junho, encerrando o grupo a 27 de junho, no duelo com a Colômbia, em Miami.

É sempre melhor começar a ganhar. Em 1986 começámos a vencer, e logo contra a Inglaterra, e depois perdemos os outros dois com a Polónia e Marrocos. Não é o fim do mundo se não vencermos o primeiro jogo, mas a fase de grupos não permite mais do que um deslize. Agora, é bom começar com uma vitória, porque motiva”, afirmou em declarações à agência Lusa Augusto Inácio, que foi internacional português por 25 vezes, tendo representado Portugal no México em 1986.

Inácio, que ao longo da carreira de futebolista jogou no Sporting e no FC Porto, espera uma vitória na estreia frente à República Democrática do Congo, salientando que um eventual resultado negativo diante da seleção africana pode abalar a equipa das quinas.

Não estou à espera e acho que ninguém aposta na vitória da República Democrática do Congo, embora estas coisas aconteçam no futebol. E a nível físico, Portugal não vai perder para a República Democrática do Congo, sabendo que tem pela frente um adversário motivado e sem nada a perder”, sublinhou.

Augusto Inácio, que após terminar a carreira de futebolista foi treinador e também dirigente, acredita que a decisão ocorrerá no último jogo, frente aos colombianos, na luta pela vitória no grupo.

Acho que Portugal vai ganhar os dois primeiros jogos e que aquele último jogo, com a Colômbia, será para decidir quem fica em primeiro do grupo. Também acredito que os colombianos ganham os dois primeiros jogos. Tudo o que não seja isto, para mim, será uma grande surpresa”, profetizou.

Inácio alertou que alguns fatores, como o clima ou a altitude, vão ter influência no rendimento dos jogadores, lembrando a sua experiência no México em 1986, apesar de ressalvar que hoje existem ferramentas para minimizar esses impactos, que umas seleções sofrem mais do que outras.

No México dava um sprint ou dois e precisava de parar para respirar, e os jogadores de Marrocos corriam para cima e para baixo e era normal para eles. Tudo tem interferência, mas é possível atenuar. Todos os gabinetes hoje existentes podem amenizar os efeitos”, defendeu.

Em 40 anos, muita coisa mudou desde o México em 1986, com Inácio a destacar as potencialidades das informações recolhidas pelos aparelhos de GPS utilizados pelos jogadores.

Hoje já se sabe para que hotel vão, em que cidade, os jogos particulares que fazem e onde treinam, já se sabe tudo. No meu tempo, não tínhamos preparação nenhuma. Hoje em dia, as coisas estão muito mais avançadas. Agora, os jogadores estão desgastados e é preciso recuperar e preparar tudo bem, mas é para isso que se paga a tanta gente. Tem de estar tudo sintonizado para que os jogadores se sintam bem”, afirmou.

A presença numa fase final é o ponto alto de uma carreira para Inácio, apesar de, no seu caso, ter feito um percurso por etapas até chegar à seleção principal.

Quando começamos nas camadas jovens, o sonho é chegar à equipa principal; depois de chegar à equipa principal, num ‘grande’, queremos ser campeões; e depois é tentar chegar à seleção principal. Depois sonhamos com Campeonatos da Europa e do Mundo”, assinalou.

Ausente da fase final do Euro 1984, em França, devido a lesão, Inácio esteve no Mundial de 1986, numa qualificação selada com uma histórica vitória frente à já apurada RFA, com um grande golo de Carlos Manuel, em Estugarda, onde Portugal dependia de a Suécia vencer a Checoslováquia, o que aconteceu.

O remate de fora da área de Carlão bateu Harald Schumacher, aos 53 minutos, e Portugal, graças a uma enorme exibição do guarda-redes Bento, que ainda viu três bolas bater nos ferros da baliza, assegurou a presença no México em 1986, dando razão ao então selecionador, o magriço José Torres, que antes pedia: “Deixem-me sonhar”.

Posso considerar que estar num Mundial pelo teu país é qualquer coisa de extraordinário, mas, depois, têm uma dimensão maior ou menor conforme as coisas correm. Este teve uma dimensão menor do que esperava”, concluiu, lembrando a eliminação precoce numa competição mais recordada em Portugal pelas polémicas do que pelos resultados desportivos.

O Mundial de 2026 vai ser disputado a partir de quinta-feira e até 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México.