Mundial 2026: Argentina é a única candidata sem jogadores na final da Liga dos Campeões
A euforia pela conquista do Mundial 2022 foi sentida em Buenos Aires como a erupção de um vulcão que esteve adormecido durante demasiado tempo, concretamente 36 anos e meio. Meio ano depois, em Istambul, o Manchester City de Julian Álvarez e o Inter de Lautaro Martínez, os dois avançados da seleção vencedora no Catar, enfrentaram-se. O vencedor foi o primeiro, que apenas entrou no relvado do Estádio Olímpico Atatürk para o aquecimento e para levantar o troféu.
Agora, a Argentina, que se apresenta no Mundial como uma das seleções com maiores probabilidades de erguer o troféu no dia 19 de julho, em Nova Jérsia, não terá qualquer representante em campo no encontro entre PSG e Arsenal, este sábado, em Budapeste, que vai determinar o vencedor da Liga dos Campeões. Isto será uma exceção, pois os outros candidatos ao título mundial contarão com pelo menos um jogador.
Dibu é a exceção
Embora há alguns dias Emiliano Martínez tenha finalmente deixado para trás o rótulo de nunca ter ganho nada com o Aston Villa, dos 26 prováveis convocados por Lionel Scaloni para representar a seleção na América do Norte, nas fases finais das competições europeias, apenas Emiliano Buendia, também do Villa, e o guarda-redes Walter Benítez, que atua no Crystal Palace, constam da lista de 55 pré-convocados que chegaram à final de uma prova europeia. Estes dois últimos não deverão ir à fase final do Mundial.
Na Arena Puskás, o único representante dos campeões mundiais será Gabriel Heinze, adjunto de Mikel Arteta, que assistirá aos compatriotas espanhóis David Raya, Martin Zubimendi e Mikel Merino frente a Fabian Ruiz. Por Portugal, estarão em campo Nuno Mendes, João Neves e Vitinha, enquanto a França contará com Ousmane Dembélé, Bradley Barcola, Desiré Doué, Warren Zaire-Emery e Lucas Hernández.
Entre as equipas mais históricas, a Inglaterra não pode ser ignorada, com Eberechi Eze, Declan Rice, Noni Madueke e Bukayo Saka no plantel. Por fim, mas igualmente relevante, o Brasil terá Gabriel Magalhães, Martinelli e Marquinhos na convocatória.
Três anos-luz
Parece que já passou uma eternidade desde o verão de 2023, altura em que os jogadores nascidos na Argentina eram maioritários em várias equipas que atingiram as finais europeias. Além dos já mencionados, Joaquín Correa fez parte do Inter que disputou a final em Istambul. A colónia albiceleste do Sevilha, que venceu a Liga Europa contra a Roma, incluía Gonzalo Montiel, Papu Gómez, Erik Lamela e Lucas Ocampos, enquanto o adversário tinha Paulo Dybala na sua equipa.
A final da Liga Conferência entre a Fiorentina e o West Ham contou com Nico González e Lucas Martínez Quarta, na altura no clube italiano, a defrontar Manuel Lanzini, que então jogava na equipa inglesa. Agora, apesar de um período de sucesso comprovado pela conquista da Copa América em 2024 e de uma fase de qualificação para o Mundial dominada de início ao fim, a seleção nacional, paradoxalmente, já não se destaca tanto pelas suas individualidades como pelo coletivo.
Com exceção de Lionel Messi, que fará 39 anos durante o Mundial e recupera de uma distensão muscular que pode condicionar a sua preparação para a estreia contra a Argélia, no dia 17 de junho, Dibu, Julian e Enzo parecem ser os únicos argentinos com estatuto indiscutível nos respetivos clubes. Na defesa, Molina e Tagliafico não são titulares nem no Atlético nem no Lyon, enquanto Otamendi terminou o contrato com o Benfica e Cuti Romero está praticamente desvinculado do Tottenham.
No meio-campo, Alexis Mac Allister pagou pela má época do Liverpool, mas deverá continuar no onze inicial da Albiceleste. Nas alas, Giuliano Simeone e Thiago Almada podem ser opções interessantes. A ausência de um jogador importante como Ángel Di María, que está a fazer uma das suas melhores temporadas no Rosario Central apesar dos 38 anos, pode ser determinante no Mundial. Nesse sentido, será crucial ver como se adapta Nico Paz, um jovem de 22 anos que já demonstrou que pode ser um bom companheiro para Messi.
Tal como em 2022, todas as responsabilidades recairão sobre Scaloni, cujo perfil discreto foi essencial para a conquista de um título histórico que permitiu a todo um país libertar-se de um negativismo quase eterno. A ausência de jogadores argentinos na final da Liga dos Campeões pode ser apenas uma curiosidade. Afinal, a força da maior seleção nacional da história em termos de títulos (três em três anos) é a união de um grupo excecional liderado por um treinador talentoso mas sereno.