Mundial-2026: Após sufoco na estreia, sistema defensivo do Brasil será testado pela 1.ª vez
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Nos primeiros 15 minutos de partida, a bola ficou 40% do tempo no ataque de Marrocos. Dando muito espaço, o meio-campo brasileiro corria para trás e não tinha bola. Hakimi, pela direita, sem se sentir ameaçado na defesa, passou praticamente toda a primeira metade do jogo no ataque.
Se a primeira paragem técnica do Mundial ajudou Ancelotti a arrumar um pouco a casa, os jogos sem pressão contra Haiti e Escócia não serviram para testar a solidez defensiva da equipa brasileira. Contra o Japão, já num duelo a eliminar, esse desafio vai aparecer pela primeira vez.
Um dos pontos centrais é a proteção a Casemiro. O médio tende a baixar de produção quando precisa de cobrir um grande território, principalmente na fase defensiva, sem bola. Por isso, precisa de estar sempre escoltado por Bruno Guimarães e Paquetá.
Outro ponto importante para segurar o rápido conjunto japonês, que, em vez de conduzir muito a bola na faixa central do campo, prefere passes incisivos rumo à baliza, é a proteção desde o ataque brasileiro, principalmente com a recomposição de Matheus Cunha. Se Vini Jr. pode ter mais liberdade de um lado, Rayan, pela direita, não desfruta da mesma condição.
A defesa que disputou a final da Liga dos Campeões, formada por Marquinhos e Gabriel Magalhães, jogou todos os minutos do Brasil no Mundial. Mas há outro aspeto decisivo na primeira linha de defesa brasileira: as laterais.
Os números mostram que o meio-campo do Brasil, tirando o apagão dos primeiros 30 minutos contra Marrocos, tem vindo a cumprir bem o seu papel defensivo, apesar de o volume ofensivo dos adversários ter sido baixo.
Entre os laterais, Douglas Santos tem mostrado mais eficiência do que Danilo nos desarmes (7 contra 0), apesar da colocação do lateral do Flamengo ser decisiva na recuperação de bola. As laterais japonesas, principalmente pelo lado direito do ataque, são bastante exploradas, seja em passes rasteiros para a frente, seja em bolas longas desde a deefesa ou do guarda-redes Suzuki.
Alisson até teve de trabalhar contra o Haiti
O único golo que Alisson sofreu no Mundial surgiu em apenas dois toques. Brahim Diaz, pelo meio, colocou a bola para Saibari fica de frente com o guarda-redes brasileiro, que saiu até à meia-lua para tentar bloquear o remate do jogador marroquino. Os japoneses também costumam arriscar de média e longa distância.
Mas não é apenas dessa forma que o sistema defensivo brasileiro será colocado à prova. Se a proteção desde o ataque não funcionar, ficará mais fácil, a partir da constante movimentação ofensiva do Japão, encontrar espaços para invadir a área brasileira. Até contra o Haiti, Alisson teve de trabalhar.
Fechar ainda mais a casinha — por mais que Ancelotti aposte num 11 seguro, que roube bolas do meio-campo para a frente — não deve ser uma preocupação secundária para o Brasil. Como os asiáticos atuam no 3-4-2-1, a procura pela supremacia no meio-campo passa a ser a chave do jogo.
Se, de um lado, o trio de ataque brasileiro pode encontrar espaços mais abertos após uma recuperação de bola no campo ofensivo, de outro o drama pode voltar a instalar-se, como aconteceu diante de Marrocos. Principalmente se o meio-campo mais povoado, técnico e veloz do Japão levar vantagem sobre o setor mais defensivo brasileiro e a pressão alta da seleção brasileira perder a primeira batalha.