Mundial-2026: A trajetória desaproveitada de um antigo menino prodígio chamado James

Mundial-2026: A trajetória desaproveitada de um antigo menino prodígio chamado James

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Tudo parecia estar ao seu alcance. Marcador mais eficaz do Mundial do Brasil em 2014, com apenas 23 anos, somando seis golos, entre os quais um remate inesquecível de primeira contra o Uruguai, era visto como uma estrela em ascensão... A sua trajetória parecia definida. Contudo, o seu futuro não correspondeu ao que muitos previam, deixando os seus adeptos com um sentimento de desilusão.

Este futebolista, que venceu a Liga Europa ao serviço do FC Porto em 2011 e foi vice-campeão francês pelo Monaco antes de se revelar ao mundo, nunca conseguiu afirmar-se, nem no Real Madrid, onde chegou após o Mundial do Brasil rodeado de um conjunto de estrelas, nem posteriormente no Bayern Munique.

Os insucessos empurraram-no para uma sucessão de clubes, reflexo de um atleta sem rumo. Nos últimos anos, acumulou passagens por Inglaterra, Catar, Espanha e Grécia, até chegar esta temporada ao Minneapolis United.

Talvez seja um indício para aquele que vai disputar nos Estados Unidos o seu terceiro Mundial pela Colômbia (2014 e 2018), feito que antes dele só Carlos Valderrama e Freddy Rincon haviam alcançado. Se jogar em dois encontros neste Mundial, igualará o total de partidas destas duas lendas do futebol colombiano (10).

"Este sorriso mantém-se"

"Estou contente, é um sonho concretizado, o tempo passa e este sorriso mantém-se", afirmou James Rodriguez aos jornalistas à chegada a Guadalajara, onde a seleção montou o seu quartel-general para a fase de grupos. No entanto, o seu sorriso não conseguirá apagar as mágoas que acompanham a lembrança da sua carreira, que muitos imaginavam gloriosa. Aliás, é difícil apontar razões concretas para explicar estes insucessos consecutivos, entre problemas físicos, lesões e treinadores pouco confiantes no seu potencial.

A sua temporada inaugural no Real Madrid, em 2014/2015, onde usou a camisola 10, não foi nada má, com 17 golos apontados. Porém, na época seguinte, Rafael Benitez colocou-o no banco, uma tendência que Zinédine Zidane manteve à frente de um Real lotado de craques. O empréstimo ao Bayern Munique em 2017 veio comprovar que James é mais um jogador de primeiras temporadas do que de segundas.

Estes lampejos esporádicos de qualidade reforçam mais a imagem de um futebolista inconsistente do que a de uma joia capaz de decidir. O seu retorno ao Real em 2020, numa temporada completamente descontextualizada, assinalou o ocaso de uma carreira já em decadência, poucos anos após o seu início.

Paradoxalmente, esta instabilidade, com seis clubes diferentes em seis anos e diversas ausências na seleção durante o período de Reinaldo Rueda, não afetou a confiança do selecionador Nestor Lorenzo, que persiste em acreditar nele.

"Há atletas que rendem mais em 20 minutos do que outros em 90 minutos", afirmou o selecionador a seu respeito, em declarações citadas pela FIFA. Sob a liderança de Lorenzo, e com James no onze inicial, a Colômbia reencontrou o entusiasmo ao atingir a final da Copa América em 2024. Este Mundial representa a oportunidade para o natural de Cúcuta demonstrar, mais uma vez, que o seu talento não se extinguiu por completo.