Mundial-2026: A força dos suplentes na fase de grupos da competição

Mundial-2026: A força dos suplentes na fase de grupos da competição

O Senegal lidera o ranking, com quatro golos marcados por suplentes, parte de uma marca notável de 43 golos apontados por jogadores que saíram do banco, dos 215 golos do torneio - um número que tem contribuído para elevar a média de golos por jogo e as margens médias de vitória ao longo da competição.

O alemão Deniz Undav tem sido decisivo a sair do banco, marcando três golos e fazendo duas assistências, enquanto a Alemanha qualificou-se para a fase a eliminar como líder de seu grupo.

Os números mostram uma combinação de eficiência na finalização e evolução tática, com a França a destacar-se como a seleção mais letal do torneio, ao balançar as redes 10 vezes a partir de um xG (golos esperados, métrica que mede a probabilidade de uma finalização resultar em golo) de apenas cinco.

"Futebol é sobre vencer jogos e marcar golos. O que vimos até aqui é qualidade na finalização... As equipas estão a superar seus números de xG", disse à imprensa o ex-selecionador da Suécia, Jon Dahl Tomasson.

"A qualidade técnica da finalização, a precisão e a tomada de decisão têm sido incríveis", afirmou, acrescentando que os jogadores que mais o impressionaram foram o francês Ousmane Dembélé e o argentino Lionel Messi, artilheiro do torneio até agora, com seis golos.

EUA, a melhor equipa no contra-ataque de pressão

O contra-ataque de pressão surgiu como uma tendência tática marcante da competição, com os Estados Unidos a destacarem-se como um verdadeiro caso fora da curva, segundo a análise técnica.

Quase todas as vezes em que perdem a bola, os americanos procuram recuperá-la imediatamente através de uma pressão agressiva - uma filosofia que o técnico Mauricio Pochettino tem trabalhado para instalar na seleção coanfitriã, que também terminou em primeiro lugar no seu grupo.

O estudo constatou que EUA, Equador, Canadá e Alemanha apresentaram filosofias claras de pressão após perda de bola, enquanto os dados revelaram que as equipas vencedoras recuperaram a posse quatro segundos mais rápido do que as equipes derrotadas, reforçando a importância da reação imediata após a perda da bola.

"Algumas seleções têm uma filosofia muito clara na forma de jogar. Percebe-se que isso faz parte do ADN delas", disse o ex-jogador do Manchester City e da seleção argentina, Pablo Zabaleta.

"A estrutura e a forma como elas têm essa filosofia de jogar com passes curtos permite que pressionem rapidamente quando perdem a bola. Elas reagem rápido em vez de recuar para um bloco defensivo baixo. Vê-se como pressionam rapidamente e recuperam a bola ainda no campo de ataque, o que lhes permite contra-atacar mais perto da área adversária", acrescentou.

O guarda-redes "armador"

Talvez o desenvolvimento mais marcante seja a evolução dos guarda-redes, que já não se limitam a lançar a bola para o campo adversário, mas participam ativamente na construção de jogadas desde a defesa.

Enquanto em 2018 todos os pontapés de baliza eram cobrados pelos próprios guarda-redes, esse número caiu para 91% em 2022 e situa-se nos 52% em 2026, evidenciando como a jogada de o guard-redes tocar a bola após recebê-la de um central, na cobrança de um pontapé de baliza, tornou-se fundamental.

O número de passes que rompem a linha defensiva também mais do que dobrou desde 2022. 

"O guarda-redes é um jogador-chave, quase como um armador", disse o ex-guarda-redes suíço Pascal Zuberbuehler: "Os centrais tocam para os guarda-redes na cobrança de pontapés de baliza, e eles iniciam a jogada."

Zuberbuehler também elogiou o guarda-redes de Cabo Verde, Vozinha, que teve uma exibição de destaque contra a atual campeã europeia, Espanha, no empate 0-0 que, no fim, ajudou os cabo-verdianos a qualificarem-se para o mata-mata na sua estreia em Mundiais.

"Podemos reclamar da Espanha e da forma como jogou, mas o plano de jogo de Cabo Verde era claro, e Vozinha fez tudo certo", acrescentou.