Mundial 2026: A campanha de Portugal em 2022 ensombrada pelo embate Santos-Ronaldo
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No Catar, durante um Mundial que decorreu atipicamente em novembro e dezembro, a seleção portuguesa foi derrotada por Marrocos (1-0), a grande surpresa do torneio. No entanto, nessa fase, já nos quartos de final, o ambiente no seio da equipa das quinas era muito tenso, devido à ausência de Cristiano Ronaldo do onze inicial.
Como era costume, o avançado começou a prova como capitão e líder da equipa das quinas, tendo inclusive marcado um golo de penálti na estreia frente ao Gana. Contudo, tudo se desmoronou na terceira jornada da fase de grupos, resultando num confronto com Fernando Santos que terminou com Ronaldo no banco de suplentes.
O treinador que se sagrou campeão europeu em 2016 acabou por deixar o cargo após o Mundial do Catar, enquanto Ronaldo esteve muito perto de terminar a sua carreira internacional. Essa decisão foi revertida com a saída de Santos e a chegada do espanhol Roberto Martínez poucos meses depois.
Após o terceiro lugar no Mundial de 1996, em Inglaterra, e o quarto lugar em 2006, na Alemanha, o Mundial do Catar figura nos registos como uma das melhores prestações portuguesas.
Logo na primeira jornada, no Grupo H, Portugal enfrentou muitas dificuldades diante do Gana, mas acabou por vencer os africanos por 3-2, com os golos de João Félix e Rafael Leão a somarem-se ao penálti de Ronaldo.
Depois, veio nova vitória sobre o Uruguai (2-0), que tinha sido o carrasco de Portugal em 2018, com dois golos de Bruno Fernandes. O primeiro foi reivindicado por Ronaldo, mas sem que este tivesse tocado na bola, e o segundo foi de penálti, já sem o capitão em campo.
Com duas vitórias e a qualificação garantida para os oitavos de final, a seleção portuguesa parecia encaminhar-se para uma campanha histórica. No entanto, o confronto com a Coreia do Sul, treinada por Paulo Bento, no encerramento do grupo, acabou por causar estragos na equipa de Fernando Santos.
Com várias alterações no onze, Portugal acabou por perder por 2-1, mas o que ficou na memória foi a reação de Ronaldo quando foi substituído aos 65 minutos. O jogador reagiu mal à decisão do selecionador e acabou por proferir algumas palavras ofensivas enquanto saía do relvado.
Inicialmente, Fernando Santos negou qualquer conduta incorreta por parte do seu capitão, um jogador que sempre defendeu desde que assumiu o cargo em 2014. No entanto, após ver as imagens, mostrou-se bastante desagradado com o sucedido.
Com isto, Ronaldo foi relegado para o banco de suplentes nos oitavos de final frente à Suíça (6-1) e o seu substituto Gonçalo Ramos marcou mesmo um hat-trick, com os restantes golos a pertencerem a Pepe, Raphaël Guerreiro e, novamente, Rafael Leão.
O início desse jogo, em Lusail, ficou igualmente marcado na história dos Mundiais, com todas as atenções centradas em Ronaldo no banco de suplentes, por parte de adeptos, fotógrafos e operadores de câmara, enquanto os 11 jogadores de ambas as seleções entoavam os respetivos hinos no relvado.
Ronaldo voltou a começar no banco de suplentes na derrota frente a Marrocos (1-0), em Doha, mas entrou aos 51 minutos, numa altura em que Youssef En-Nesyri já havia marcado para os marroquinos aos 42 minutos.
A última imagem de Portugal no Mundial de 2022 foi a de Cristiano Ronaldo a deixar o relvado em lágrimas, na despedida do que então se previa ser o seu último Mundial na carreira, algo que, com o passar do tempo, não se confirmou.