Mourinho: "Eu sou aquele que ganhou tudo e ganhou tudo muitas vezes"
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Nacional: “Eles necessitam de pontos, não de forma desesperada pois estão longe da zona de despromoção e dos play-offs, porém próximos. Trata-se de uma formação que desde o início da temporada compete por resultados. Bem preparada, com algum tempo de laboração sob o comando de Tiago Margarido, domina a defesa e protege-se ainda melhor em bloco baixo. Possui habilidade, aproveitando certas peculiaridades do nosso campeonato, como a tolerância à diminuição acentuada do tempo de jogo efectivo, para gerir bem isso. Com a posse de bola, compreende o que pretende. É um conjunto sólido e, se olharmos aos confrontos com as equipas do topo da classificação, apesar de poucos pontos, venceram em Braga e realizaram partidas equilibradas. É isso que antevejo, um adversário a disputar o empate, sem ignorar a chance de somar. Nós urge vencer, por todos os motivos e mais alguns. Li certas expressões chave da antevisão de Tiago, que antecipa um Benfica reactivo ao derradeiro encontro e essa é precisamente a nossa meta”.
Última sessão com a imprensa: “Falei bastante e parece que no fim não expus nada. Dá a impressão que não fui directo ao afirmar o desejo de permanecer no Benfica. Pelos retornos que o Gonçalo, assessor de imprensa, me transmitiu, surgiram inúmeras interrogações, apesar de considerar que fui preciso e franco ao expressar a vontade de ficar no Benfica para a próxima temporada. Não é necessário pegar em papel e lápis para esboçar, repetirei o que afirmei num instante de irritação, quanto à intenção de continuar no Benfica e contender por troféus. Quanto ao que mencionei e foi visto como descontentamento, sobre os atletas que não reintegraria, há diferença entre o que se declara e o que se concretiza. Os montantes elevados que referi são evidentes e perante a reacção avassaladora a isso, reflicitei se seria o único técnico mundial a alterar algo no elenco e cheguei a uma ideia clara: apenas cinco treinadores manteriam tudo inalterado. Porque a essência de qualquer director técnico, grupo ou emblema é nunca possuir o esquadrão ideal. Desejava um elemento mais alto, outro veloz, um perito em bolas paradas, um veterano, outro jovem. Apenas cinco emblemas de elite, e eu já estive entre eles, fogem a isso, pelo resto julgo ser habitual, especialmente após um desfecho irritante e duro de digerir. Na realidade, emergem outros factores, como a complicação em formar os elencos sonhados como perfeitos e uma coisa é o impulso num dado instante, outra é a acção. Creio que tive a lucidez de afirmar que não o farei e na lista de amanhã verificarão que é praticamente idêntica, com a inclusão de Dedic e Gonçalo Moreira, mas sem qualquer escolha que possam interpretar, sobretudo os comentadores”.
Porvir no emblema: “Os que analisam o futebol, que se sustentam nessa esfera adjacente, alteram perspectivas a cada dia, a cada hora, do minuto 89 ao 91 se aos 90’ ocorreu um golo que alterou tudo. Repetir a mesma questão a mim e a Rui Costa não faz sentido. Já interrogaram diversas vezes o presidente, que clarificou. Dirigiram-se a mim e respondi afirmativamente. Amanhã questionarão se pretendo prosseguir, ao presidente o que ocorrerá? Ignoro se devemos replicar sempre a mesma dúvida, parece-me curioso. Deixem de me fazer essa interrogação. Eu desejo permanecer no Benfica na próxima época”.
Atletas em foco: “Evidentemente que não nomearei, não posso. Existem cinco directores técnicos no futebol europeu que não ambicionam alterar nada no grupo, mas se inquirir a algum após um resultado negativo, até um deles pensaria em substituir um jogador no seguinte jogo. São os que orientam as cinco formações mais influentes, com maior peso no mercado, indiferentes às finanças. Eu não tenho essa margem, declarei e fui guiado pelas emoções, já levamos cerca de 60 e tantas sessões com a imprensa, é natural verbalizar o que talvez não deva, ou que certos não queiram captar. Aceito o estilo de análise que aponta falhas nos demais após um desaire, sem autoexame. Se possuo essa falha, assumo, mas resulta de quem sou. Eu sou o que conquistou tudo, repetiu conquistas múltiplas, reiterou sucessos e talvez tenha evoluído de forma a nunca errar, nunca falhar, nunca tropeçar, reconheço essa lacuna na minha personalidade como técnico. Contudo, detento uma virtude que equilibra, a de ser um severo autoavaliador, perante o colectivo sou muito introspectivo, examino o que cada um, inclusive eu, poderia ter aprimorado, sou rigoroso comigo, com os demais, sem envolver os jogadores”.
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