México chora a falta de Cristiano Ronaldo na inauguração do Estádio Azteca
O México tornou-se um grande fã do Real Madrid nos anos 80 graças a Hugo Sánchez. O atleta criado nos Pumas fortaleceu de forma única o laço permanente entre o país e Espanha devido às raízes identitárias e culturais que remontam ao tempo do vice-reinado.
As piruetas e o faro de golo de Sánchez o primeiro grande jogador mexicano que enfrentou sem medos os obstáculos do futebol europeu elevaram-no a um estatuto de ídolo merengue que por sua vez encheu a mentalidade nacional com um apego apaixonado ao Madrid que se firmou ao longo do tempo e o grande culpado disso foi Cristiano Ronaldo.
A expectativa de o acolher como em sua casa
Os líderes mexicanos ágeis em buscar oportunidades sentiram a pressão do público para não priorizar apenas o lado desportivo da Tri depois do desastre no Mundial do Catar em 2022. Para corrigir isso sem ignorar o ganho económico evidente moveram todos os fios para persuadir Portugal a jogar na reabertura do Estádio Azteca.
Quando conseguiram convencer os responsáveis portugueses a notícia espalhou-se pelas redes sociais e sem dúvida foi a melhor notícia para o futebol mexicano em longo tempo. O desejo de ver Cristiano virou uma causa colectiva. Toda a energia do país focou-se num único fim demonstrar ao craque que esta nação era o seu lar.
Todavia o fervor dos fãs ruiu por completo esta sexta feira após a convocatória revelada por Roberto Martínez que selou a ausência de Cristiano Ronaldo por causa de um problema muscular na perna direita ocorrido há perto de um mês num jogo da liga saudita.
Tudo como planeado
E apesar de a falta de Cristiano Ronaldo ser um revés forte para toda a preparação do jogo o facto de o encontro acontecer é uma vitória para os organizadores depois de semanas de dúvida por causa da instabilidade de segurança no país após a prisão do traficante de drogas Nemesio Oseguera Cervantes pelas forças armadas mexicanas.
A onda de violência após a eliminação de El Mencho em diversas áreas do país com foco em Jalisco e sua cidade principal Guadalajara pôs em sobressalto a organização do Mundial e muitos implicados incluindo a Federação Portuguesa de Futebol. Depois dos incidentes violentos e das imagens de caos que circularam globalmente a equipa portuguesa alertou que sem segurança não viria ao México para o jogo de preparação no Estádio Azteca.
Desde aí as entidades mexicanas emitiram múltiplos pedidos de tranquilidade respaldados pelo presidente da FIFA Gianni Infantino. Um impacto que funcionou e permitiu avançar com o jogo contra Portugal que marca o início dos cinco encontros que o Estádio Azteca acolherá dos treze planeados no México.