Menos faltas, menos cartões, menos VAR: a nova filosofia da arbitragem no Mundial-2026

Menos faltas, menos cartões, menos VAR: a nova filosofia da arbitragem no Mundial-2026

Agora, o contexto. Pierluigi Collina, 66 anos, chefe de arbitragem na FIFA, é de um tempo em que o futebol tinha contato e só ele, dentro de campo, tomava as decisões – parou em 2005. Em 2018, quando o VAR foi apresentado ao mundo antes do Mundial da Rússia, as explicações eram claras e concisas: trata-se de uma ferramenta para evitar que erros grosseiros ocorram.

Com tudo isso na bagagem, é que os árbitros confinados em um hotel em Miami - têm briefings detalhados de cada jogo que vão apitar, além de uma série de outras estruturas, como atendimento psicológico e até um campo com jogadores reais que simulam jogadas das seleções que vão atuar - entram em campo no Mundial.

A obsessão, e agora também entraram em vigor novas regras para combater a perda de tempo, é pelo jogo fluido. Bola a rolar e menos acréscimos. Por mais que a tal pausa para os comerciais (ou para a hidratação) quebre um pouco o ritmo da partida e desafie as regras do desporto mais adorado do planeta, como várias pesquisas atestam.

Nos 24 jogos da primeira jornada da fase de grupos, houve uma média de 59,4% de bola a rolar. Contra 56,9% no Catar e 56,3% na Rússia. Pode parecer pouco, mas é uma tendência que, por enquanto, os números mostram estar em curso. Os acréscimos absurdos do Mundial passado também sumiram.

Se futebol tem contato, uma partida, para ter mais bola rolando, precisa ter menos faltas. E também menos cartões amarelos. Até agora, nos 48 jogos das duas primeiras jornadas, as médias de faltas estão menores em relação aos outros dois Campeonatos do Mundo e perto do padrão da Champions e da Premier League.

Não tivemos nenhum jogador expulso por acumulação de dois amarelos. E, dos oito cartões vermelhos diretos, três foram aplicados pelo brasileiro Wilton Pereira Sampaio em um mesmo jogo. Um deles, que pode ser discutível pelo rigor, com auxílio do VAR. Neste Mundial, o número de cartões amarelos, até agora, está baixo.

Se o Campeonatodo Mundo costuma deixar legados, a obsessão por um VAR menos caçador de faltas em câmera lenta pode ser algo positivo, principalmente para o Campeonato Brasileiro, que volta em menos de um mês. Se o critério for mesmo para todos, lances mais discutíveis, como o penálti para a França na estreia contra Senegal e o penálti para Gana contra a Inglaterra - este sem nem o VAR entrar em ação - acabam se diluindo no tempo.

A filosofia humana é algo importante, mas a tecnologia embarcada neste Mundial também tem mostrado a importância para que o jogo seja mais jogado. O fora-de-jogo semiautomático, que conta até com avatares reais de todos os jogadores inscritos, e os avisos sonoros para o árbitro - foras-de-jogo de mais de 10 centímetros são comunicados imediatamente, acabando com a bandeirada em delay - estão a mostrar-se vitais.

Além disso, foram selecionados 140 árbitros (só 139 estão nos Estados Unidos), considerados os mais preparados para a função. Além de profissionalismo, coordenação técnica também é importante. A ver se a filosofia para o VAR entrar em ação, e para o jogo ser parado por qualquer contato, continuará alto quando agosto chegar.